8 de mai de 2019

Repetição de eleições em Istambul. União Europeia pede esclarecimento “o mais rápido possível”





Expresso, 07 de maio de 2019 










Decisão de repetir as eleições municipais em Istambul, onde a oposição conseguiu derrotar o partido no poder, tem sido questionada e criticada. Guy Verhofstadt, que lidera o Grupo Liberal no Parlamento Europeu, acusou a Turquia de estar a tornar-se uma “ditadura”

A comissão eleitoral da Turquia ordenou esta terça-feira que as eleições de 31 de março sejam repetidas em Istambul, cidade onde a oposição ao governo venceu, e a decisão tem sido questionada e criticada. A União Europeia já pediu um esclarecimento “o mais rápido possível” e o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Mass, classificou a decisão de “incompreensível”. O Governo francês criticou-a abertamente e o mesmo fez Guy Verhofstadt, o ex-PR belga que lidera o Grupo Liberal no Parlamento Europeu, acusando a Turquia de estar a tornar-se uma “ditadura”.


A decisão de repetir as eleições municipais em Istambul, que foram ganhas pelo Partido Revolucionário do Povo (CHP, de centro-esquerda), tendo aliás o candidato do partido, Ekrem Imamoglu, chegado a ser investido como presidente da câmara daquela cidade, foi anunciada na segunda-feira. O presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, alegou ter havido “irregularidades e corrupção”, pediu uma repetição do sufrágio e a comissão eleitoral aceitou. Ekrem Imamoglu considerou a decisão “traiçoeira” e foram muitos os que saíram às ruas de Istambul, na segunda-feira, para manifestar o seu desagrado. A nova votação ficou marcada para 23 de junho.

Assegurar um processo eleitoral livre, justo e transparente é essencial para qualquer democracia e é um aspecto central da relação entre a União Europeia e a Turquia”, referiu a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em comunicado. O Governo francês apelou às autoridades turcas para “demonstrarem respeito pelos princípios democráticos, o pluralismo, a equidade e a transparência”, e Guy Verhofstadt afirmou no Twitter que a decisão de repetir eleições pode bem tornar as negociações de adesão da Turquia à UE “impossíveis”.

Mas o que alegou exatamente o governo? De acordo com um representante do AKP (partido no poder) na comissão eleitoral, a votação de final de março foi acompanhada por pessoas que não eram funcionários públicos e alguns documentos com os resultados não foram assinados. Já o CHP vê a situação doutra forma: a decisão “ditatorial” de repetir eleições mostra que “é ilegal vencer o AKP”, afirmou o deputado Onursal Adiguzel. Num discurso perante apoiantes, Ekrem Imamoglu acusou a comissão eleitoral de ter sido influenciada pelo partido no poder.

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