TX, 18/03/2025
Por Bob Yirka
Uma equipe de pesquisadores médicos e engenheiros do Google Research desenvolveu um método para utilizar a câmera frontal de um smartphone, para monitorar a frequência cardíaca de um paciente. O grupo publicou um artigo sobre a tecnologia no servidor de pré-impressão arXiv.
Acompanhar a frequência cardíaca de um paciente ao longo do tempo pode fornecer pistas sobre sua saúde cardiovascular. A métrica mais importante é a frequência cardíaca em repouso (resting heart rate – RHR), pois pessoas com uma taxa acima do normal apresentam maior risco de doenças cardíacas e/ou AVC. Os pesquisadores observam que taxas persistentemente altas podem indicar um problema grave.
Nos últimos anos, fabricantes de dispositivos de saúde pessoal desenvolveram monitores cardíacos externos, como colares e smartwatches. No entanto, esses dispositivos são caros. Os pesquisadores encontraram uma alternativa mais acessível: um sistema de deep learning que analisa vídeos capturados pela câmera frontal de um smartphone. O sistema é chamado PHRM.
A ideia do sistema tem origem no trabalho de John Poel, que descobriu, nos anos 1940, que a pele muda de cor levemente a cada pulsação do fluxo sanguíneo. Ele foi além e criou um dispositivo que monitorava a frequência cardíaca através da luz refletida pela pele, dando origem a uma nova ciência: a fotopletismografia (photoplethysmography – PPG).
Muitos dispositivos baseados no trabalho de Poel foram desenvolvidos ao longo dos anos. A equipe deste estudo utilizou essa mesma tecnologia de uma nova maneira—analisando a luz refletida quando um smartphone é apontado para o rosto de uma pessoa. O sistema mede as mudanças no volume sanguíneo, permitindo o monitoramento tanto da frequência cardíaca regular (heart rate – HR) quanto da RHR.
Para garantir que o sistema funcione para pessoas de todas as tonalidades de pele, a equipe ajustou seus parâmetros para levar isso em consideração. Eles também testaram amplamente a tecnologia com 495 voluntários, que forneceram 225.773 vídeos de seus rostos. Posteriormente, realizaram testes de validação com 185.970 vídeos de 205 pessoas, capturados em diversas condições de iluminação. Os resultados foram comparáveis aos obtidos com dispositivos tradicionais, como eletrocardiógrafos.
A grande vantagem do novo sistema é que ele não exige equipamentos adicionais—basta um smartphone com câmera. Esse avanço pode tornar o monitoramento da frequência cardíaca acessível a bilhões de pessoas ao redor do mundo.
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Fonte:https://techxplore.com/news/2025-03-deep-smartphone-camera-heart.html
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