4 de dez de 2016

Após derrota no referendo Renzi anuncia demissão - "No", hai capito?

Matteo Renzi se despede. 



DN, 04 de dezembro de 2016. 



Por Helena Tacedeiro



Primeiro-ministro italiano tinha prometido deixar o cargo se italianos dissessem Não à reforma constitucional que defendeu.

"Digo aos amigos do sim que perdi eu e não vocês. Assumo toda a responsabilidade", afirmou Renzi, antes de acrescentar que, no entanto, "quem luta por uma ideia nunca perde". Recordando que Itália "é o país mais belo do mundo" , pediu para limparem as lágrimas porque no futuro hão-de vencer. [Tocante!]

Primeiras previsões tendo em conta os primeiros votos contados dão entre 57% e 61 para o Não, contra 39% a 43% para o Sim. A confirmarem-se os resultados adiantados pelo IPR Marketing-Instituto Piepoli para a Rai, a reforma constitucional proposta pelo primeiro-ministro Matteo Renzi não vai avançar.


O primeiro-ministro italiano admitiu que para quem votou Sim, "há raiva" perante os resultados.

"Aos amigos do sim", o primeiro-ministro quis deixar um "abraço forte". Renzi lamentou que não tenham conseguido levar aos italianos esta oportunidade de mudança.

No poder desde fevereiro de 2014, Renzi, de 41 anos, prometera demitir-se em caso de vitória do Não, tendo depois recuado, reconhecendo que era um erro personalizar um escrutínio que aos poucos acabou, no entanto, por se transformar num plebiscito à sua governação.

Com esta reforma, o primeiro-ministro espera reduzir os poderes do Senado (atualmente o sistema italiano é um bicameralismo perfeito, no qual senadores e deputados têm a mesma força), além de acabar com a sobreposição de poderes a nível regional. No último ato da campanha, na sexta-feira em Florença, Renzi pediu aos apoiantes para tentarem convencer os eleitores indecisos "um por um", porque tudo estava em jogo nas últimas horas.

A aguardar o resultado deste referendo estava toda a Europa. Para os líderes europeus e para os mercados, a vitória do "não" poderia gerar instabilidade política que não irá ajudar face a uma situação económica já complicada.

A economia italiana parece parada há 20 anos, com o desemprego nos 11,6 % (36,4% entre os jovens) e uma dívida pública de 2,2 biliões de euros (132,7% do PIB), só menor que a grega. As previsões de crescimento para 2016, da OCDE, são de apenas 0,8%. Apesar de o ministro da Economia italiano, Pier Carlo Padoan, afastar qualquer hipótese de "terramoto financeiro" depois do referendo, a verdade é que a taxa de juro da dívida subiram nas últimas semanas e existe uma preocupação crescente em relação aos créditos de cobrança duvidosa, que ensombram a banca italiana.

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