21 de out de 2016

A Finlândia poderia se tornar a próxima Ucrânia? A nação teme a agressão por conta da propaganda de Moscou questionando a legalidade de sua independência da Rússia em 1917




MailOnline, 19-20 de outubro de 2016. 






O Kremlin foi acusado de comandar uma “campanha de difamação sistemática” contra a Finlândia, com funcionários em Helsinque sendo questionados sobre a legalidade de sua independência da Rússia. 

A alegação vem em meio a crescentes preocupações de segurança na Finlândia, após a anexação feita por Moscou a Criméia, e as tensões entre a Rússia e o Ocidente sobre a movimentação de mísseis com capacidade nuclear no Mar Báltico. 

Tanto a Finlândia quanto a Estônia acusam caças russos de violar o seu espaço aéreo na semana passada, com jatos finlandeses duas vezes movendo-se para interceptação após os aviões russos SU-27 alegadamente serem detectados ao longo do Golfo da Finlândia – uma reivindicação que o Kremlin nega. 

O Ministério da Defesa da Finlândia descreveu a aviação russa sobre o Mar Báltico como ‘intensa’, e as autoridades acreditam que o Kremlin está por trás dos ataques “agressivos” de mídia contra o país. 

A Finlândia no próximo ano celebrara os 100 anos desde a sua declaração de independência da República Russa. 

Ela compartilha uma fronteira de 833 milhas com a Rússia, mas questões sobre a legalidade de sua independência fizeram líderes finlandeses ficarem inquietos. 


Depois de anexar a Criméia em 2014, e depois de ter declarado a região como “tendo sido devolvida a Rússia”, um dos ex-assessores do presidente russo Vladimir Putin disse que o líder russo estaria ajustando suas vistas sobre a Finlândia. 

A Criméia tinha sido parte da União Soviética e da República Federativa Socialista Russa até 1954, quando a transferiu para a república socialista soviética ucraniana.

Andrej Illarionov, principal assessor econômico de Putin entre 2000 e 2005, disse ao jornal sueco Svenska Dagbladet: “Partes da Geórgia, Ucrânia, Bielorrússia, e dos Estados Bálticos e da Finlândia são estados onde Putin afirma ter propriedade.”. 


Ele disse que o regime de Putin vê a independência da Finlândia como “traição contra os interesses nacionais”. 

Markku Mantila, chefe de comunicações do governo finlandês, disse: “Nós acreditamos que esta influência agressiva da Rússia visa criar desconfiança entre líderes e cidadãos, e ter-nos a tomar decisões prejudiciais a nós mesmos. Ela também tem o objetivo de tornar os cidadãos suspeitos sobre a União Europeia, e também de dar um aviso a Finlândia para não ingressar na OTAN.”. 


A Finlândia permanece fora da OTAN, que suspendeu as relações com a Rússia e tem estado no centro das tensões crescentes com o presidente Vladimir Putin. 

Como não é um Estado-Membro, uma invasão não seria considerada um ataque contra a aliança, que tem 28 membros. 

Mas no início deste mês o ministro da Defesa finlandês Jussi Niinisto assinou uma Declaração de Intenções bilaterais com os Estados Unidos, pelo fortalecimento dos laços de defesa e intercâmbio de informações e chegaram a acordos em matéria de formação. 

Ela [Finlândia] tem uma política oficial de não-alinhamento, e Niinisto salientou que o país não está mais próximo de uma adesão à OTAN, e que isso tem sido um assunto controverso. 

Mantila rebateu a campanha agressiva a qual diz que é o Kremlin que está conduzindo contra a Finlândia. Relatórios no início deste ano na Rússia reivindicam que a administração bolchevique de Lenine, tinha o direito de aceitar a independência da Finlândia. 

E, em junho, uma universidade em São Petersburgo colocou uma placa comemorativa de Carl Gustaf Mannerheim – famoso militar e ex-presidente da Finlândia, que serviu no exército do Czar, mas mais tarde liderou as forças finlandesas, a Segunda Guerra Mundial. 

A placa rapidamente se tornou alvo para manifestantes que têm chamado Mannerheim – considerado na Finlândia como um símbolo de luta do país contra a União Soviética – um assassino e colaborador nazista implacável. 

A placa foi alvejada, atingida com tinta vermelha por diversas vezes”, disse Mantila, notando que a Finlândia não tinha nada a ver com o projeto de placas, para começo de conversa. 

A Rússia começou a mover mísseis Iskander com capacidade nuclear, que poderiam ter um alcance de mais de 400 milhas, em seu enclave de Kaliningrado na fronteira com a Polônia e a Lituânia. 


Isso ocorre conforme as tensões aumentam entre a Rússia e a OTAN, com a cimeira da OTAN em julho reafirmando que “toda a cooperação civil militar e prática” com Moscou foi suspensa. 

Em maio, o Kremlin disse que um sistema de defesa antimísseis da OTAN em Devesleleu, Romênia representava uma “ameaça direta à segurança global e regional”, e prometeu tomar medidas “para garantir o nível de segurança necessário para a Rússia”. 

Na terça-feira o presidente finlandês Sauli Niinisto disse: “É bom que a OTAN reaja às preocupações dos países bálticos e mova tropas para os países bálticos e à Polônia. Por outro lado temos que ver como a Rússia responde". Ele continuou: “A posição da Finlândia é de que nós devemos fazer o nosso melhor para acalmar as tensões na região do Báltico e aumentar a estabilidade. Nós ainda estamos prontos para fazer mais esforços para fazer avançar isto.”. 

Mantila apontou para um caso relatado nos meios de comunicação russos no mês passado, que acusavam as autoridades finlandesas de “sangue frio’ ao levar sob custódia crianças de uma família russa vivendo na Finlândia”, devido à sua nacionalidade. 

Em um relatório da NTV levado pelo Kremlin foi dito que “mesmo os moradores chamam a Finlândia de uma terra implacável e irracional de terror as crianças”. 

Mantila disse que a rede de funcionários que monitoram as tentativas de influenciar o país tem verificado que existem ao menos em torno de 20 casos de operações de informações claramente contra a Finlândia a partir dos últimos anos, e cerca de 30 “muito prováveis” operações. 


Há uma campanha de mentira sistemática acontecendo... Não é uma questão de mau jornalismo, eu acredito que isto é controlado a partir do centro”, disse ele. 

O Kremlin e os funcionários do ministério do Exterior russo, não estavam imediatamente disponíveis para comentários. 

O ministro do Exterior Timo Soini também reconheceu a suposta propaganda dizendo que o governo estava contrariando informações falsas com os fatos. 

Todos os estados envolvem-se em propaganda, estados autoritários ainda mais”, disse ele à Reuters. 

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