6 de mai de 2019

Aniquilamento da População e da Vida Cristã: Onde está a Indignação do Ocidente?

Enfrentando a Catástrofe com Indiferença


Gatestone, 05 de maio de 2019 









  • Os extremistas islâmicos perceberam que o Ocidente não se mobilizou para impedi-los de subjugar os cristãos, como se, inconscientemente, houvesse uma estranha convergência entre nosso silêncio e o projeto de limpeza étnica do Estado Islâmico, destinado a dizimar os cristãos.
  • "A liberdade religiosa, valor central da civilização ocidental, está sendo destruída em enormes regiões do planeta. No entanto, o Ocidente, devido à falta de discernimento, nega a existência dessa guerra religiosa e se recusa a enxergar..." — Melanie Phillips, jornalista britânica, The Times, 17 de novembro de 2014.
  • O Príncipe William, Duque de Cambridge, acabara de visitar os sobreviventes muçulmanos do ataque às mesquitas em Christchurch, Nova Zelândia. Por que a família real britânica não é compelida pela mesma compaixão e aproveita o ensejo para dar uma paradinha no Sri Lanka, sua ex-colônia, para visitar os sobreviventes cristãos, antes de voltar para a Inglaterra?
  • O apelo das filhas de Asia Bibi pedindo ajuda para a mãe foram deixados para lá no Ocidente. O Reino Unido se recusou em oferecer asilo a esta família cristã paquistanesa.




"Onde está a solidariedade para com os cristãos do Sri Lanka?" perguntei ao conceituado intelectual muçulmano britânico Rakib Ehsan.

"As diferenças no tom e natureza nas condenações aos ataques terroristas em Christchurch e Sri Lanka são impressionantes. Após os ataques em Christchurch, não houve hesitação em adiantar o background religioso das vítimas e dirigir o calor humano e o carinho às comunidades muçulmanas. Os políticos não tiveram nenhum problema em classificar os eventos em Christchurch como terrorismo.

"Em contrapartida, as palavras 'terrorismo' e 'cristianismo', juntamente com os termos associados, até agora não caracterizaram em grande medida a reação aos ataques no Sri Lanka.

"O que salta aos olhos não é somente a relutância inequívoca em especificar o background religioso dos cristãos que foram massacrados no Sri Lanka como também a falta de uma genuína solidariedade para com as comunidades cristãs nos quatro cantos da terra, que continuam sofrendo abomináveis formas de perseguição devido à sua fé".

Rakib Ehsan fez a pergunta certa. Mas pode ser reescrita da seguinte maneira: onde está a solidariedade do Ocidente para com os cristãos massacrados no Sri Lanka?

Este é um drama em três atos. O primeiro ato envolve abusos e assassinatos de cristãos e outros povos autóctones não muçulmanos. O segundo ato diz respeito aos extremistas muçulmanos que promovem esse genocídio. E o terceiro ato compreende a indiferença do Ocidente, que não está nem aí.

O número de vítimas assassinadas em ataques jihadistas no Domingo de Páscoa de 21 de abril no Sri Lanka é terrível demais até de se imaginar: 253 mortos. Entre as vítimas assassinadas encontram-se 45 crianças. Seus rostinhos e suas histórias começaram a vir à tona. Os terroristas islâmicos sabiam que havia muitas crianças nas três igrejas e as atacaram deliberadamente com bombas. Vídeos mostram um dos terroristas passando a mão na cabeça de uma criancinha antes de entrar na igreja de St. Sebastian em Negombo onde "todos perderam entes queridos".

A família Fernando acabara de tirar uma foto no batismo de Seth, o terceiro filho. Em Negombo todos foram enterrados juntos. O pai, a mãe e os três filhos de 6 e 4 anos e o nenê de 11 meses. Segundo o New York Times:

"Fabiola Fernando, de 6 anos era aluna em uma escola de ensino fundamental. Em uma foto postada na página do Facebook de sua mãe, ela mostra com orgulho uma medalha de ouro com um sorrisinho no rosto. Leona Fernando, de 4 a filha do meio, estava aprendendo a ler e na foto aparece segurando um livro da "Bela Adormecida". Seth Fernando, de 11 meses, era o novo membro da família Fernando. Ele foi enterrado ao lado de seus pais e das duas irmãs".

O silêncio do mundo intelectual e da mídia ocidental é particularmente ensurdecedor. A nova consciência humanitária deve estar enxergando somente dois grupos: aqueles que têm direito à compaixão e proteção da comunidade internacional e aqueles, como os cristãos, desmerecedores de ajuda e solidariedade.

O assassinato deliberado de Mateus, um bebê de 8 meses em uma igreja no Sri Lanka, ao que tudo indica, não incomodou nem estarreceu o Ocidente, não viralizou nas redes sociais, não se tornou uma hashtag, não motivou os europeus a se aglomerarem nas praças públicas, não fez com que o mundo islâmico botasse a mão na consciência, não catalizou os políticos ocidentais e formadores de opinião a refletirem seriamente sobre o facínora que assassinou aquela criança ou sobre aqueles que fomentam e financiam o ódio islamista anticristão.

Sudesh Kolonne estava em frente à igreja de St. Sebastian quando ouviu a explosão. Logo em seguida ele correu para o interior da igreja à procura de sua esposa e filha. Levou meia hora para encontrar seus corpos.

Os ataques também mataram três filhos de um bilionário dinamarquês. Uma mulher perdeu a filha, o filho, o marido, a cunhada e duas sobrinhas. Um pai britânico teve que decidir qual dos dois filhos salvar. Outra família britânica foi exterminada. Para aumentar ainda mais a hediondez, a esposa grávida de um dos terroristas, ao perceber que a polícia havia invadido sua casa, detonou um colete atado com explosivos, matando seus próprios filhos.

O Príncipe William, Duque de Cambridge, acabara de visitar os sobreviventes muçulmanos do ataque às mesquitas em Christchurch, Nova Zelândia, entre eles crianças em recuperação nos hospitais. Foi um gesto de humanidade e compaixão. Por que a família real britânica não é compelida pela mesma compaixão e aproveita o ensejo para dar uma paradinha no Sri Lanka, sua ex-colônia, para visitar os sobreviventes cristãos, antes de voltar para a Inglaterra? Famílias cristãs inteiras foram dizimadas no ataque.

Onde está a indignação no Ocidente pelo aniquilamento do modo de vida cristão e dos cristãos? Parece que não há indignação, somente silêncio, interrompido por bombas e "Allahu Akbar ". Os livros de história do futuro não perdoarão essa traição do Ocidente. Se o Ocidente levasse a sério as perseguições aos cristãos, os sinos não dobrariam pelo fim da presença cristã, não só em terras históricas do cristianismo, mas também no Ocidente. Os extremistas islâmicos perceberam que o Ocidente não se mobilizou para impedi-los de subjugar os cristãos, como se, inconscientemente, houvesse uma estranha convergência entre nosso silêncio e o projeto de limpeza étnica do Estado Islâmico, destinado a dizimar os cristãos.

A autora britânica Melanie Phillips chamou esta perseguição aos cristãos de "nosso secreto sentimento de culpa".

"A liberdade religiosa, valor central da civilização ocidental, está sendo destruída em enormes regiões do planeta. No entanto, o Ocidente nega a existência dessa guerra religiosa, devido à falta de discernimento se recusa a enxergar a destruição dos pilares de sua fé no Oriente Médio e a investida de erradicá-la em outras regiões. Portanto, não causa espécie que, diante das barbaridades dos jihadistas no exterior e das incursões culturais em casa, o mundo livre se mostre tão ineficaz".

O ataque jihadista no Sri Lanka não foi apenas "o ataque que mais deixou rastros de morte e destruição de cristãos no sul da Ásia que se tem notícia na história recente." Também foi o maior massacre de crianças cristãs. Mesmo assim nenhum jornal lançou uma campanha para sensibilizar a opinião pública europeia, não apareceu nenhum movimento de solidariedade em favor dos cristãos, ao que parece, nenhum líder ocidental foi a uma igreja em sinal de solidariedade, nenhum líder da igreja ocidental teve a coragem de apontar os culpados dando nome aos bois, nenhum prefeito do Ocidente pendurou fotos das 45 crianças brutalmente dilaceradas, nenhuma praça pública foi ocupada por milhares entonando palavras de ordem "Je suischrétien".

Há poucos anos, no auge da crise migratória na Europa, uma fotografia petrificou a opinião pública no Ocidente. Tratava-se da famosa foto de Alan Kurdi, o menino sírio de três anos que se afogou na costa de Bodrum, na Turquia. O pequenino migrante comoveu o Ocidente. A imagem dele viralizou. O jornal New York Times a chamou de "A Europa de AylanKurdi".

"Por razões históricas, Angela Merkel temia imagens de policiais alemães armados confrontando civis em nossas fronteiras" escreveu Robin Alexander, destacado jornalista do Die Welt ', em seu livro Die Getriebenen ("Os Compelidos"). Se de um lado as fotografias de crianças migrantes impeliram os líderes da Europa a abrirem suas fronteiras, do outro as fotografias de crianças cristãs assassinadas, como as 45 no Sri Lanka, ao que tudo indica, não os sensibilizaram.

O apelo das filhas de Asia Bibi pedindo ajuda para a mãe foram deixados para lá no Ocidente. O Reino Unido se recusou em oferecer asilo a esta família cristã paquistanesa e acolher cristãos perseguidos.

"É com indiferença que assistimos a uma catástrofe sem precedentes da civilização", escreveu o conceituado historiador francês Jean-François Colosimo, ao comentar a respeito da destruição do cristianismo oriental. Sem religião e sem comunidade a civilização é hoje mais perseguida que os cristãos. Por que, então, esse silêncio do Ocidente? Nos tornamos tão estranhos perante nós mesmos, às nossas raízes e à nossa história, que chegamos a ponto de aceitar contemplar esse surto de violência jihadista sem pestanejar? Ou será que sofremos de uma miopia política tal que alimentamos a esperança de fazer a "paz" com os extremistas muçulmanos em troca do abandono desses cristãos? A mesma ideologia jihadista que assassinou crianças cristãs no Sri Lanka, tinha como alvo crianças europeias em Nice, Manchester e Barcelona.

O Sri Lanka do massacre não se resume somente a uma terrível corrente de mães aos prantos e pequenos caixões. Lamentavelmente, isso também nos diz muito sobre o estado desalentador em que se encontra o Ocidente.
Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.
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