2 de jul de 2016

Pablo Iglesias atribui revés eleitoral ao medo entre os votantes

Pablo Iglesias, líder chavista do Podemos



DN, 02 julho de 2016. 



Por Patrícia Viegas



Líder da formação da esquerda radical diz que eleitores se assustaram com a possibilidade de eles chegarem ao poder e recuaram

Medo de uma coisa nova. É esta a explicação que o líder do Podemos arranja para o revés eleitoral sofrido pela formação nas eleições legislativas de 26 de junho. "Acredito que estes votantes foram a chave para perceber o que se passou nas últimas eleições. Têm simpatia por nós e agradecem o abanão que demos à política espanhola, respondem aos institutos de sondagens que vão votar em nós, mas na hora da verdade decidem não votar em nós quando se torna demasiado evidente que podemos governar", declarou Pablo Iglesias durante o seu Fort Apache, o programa televisivo emitido pela Hispan TV. "A chave foi o medo de algo novo" e "sim o brexit influenciou uma coisa precisamente na direção de confirmar esse medo da mudança".


Nas legislativas do passado domingo em Espanha o Podemos não conseguiu arrebatar o segundo lugar ao PSOE, tendo-se ficado pela terceira posição. E nem a coligação com a Esquerda Unida - a Unidos Podemos - conseguiu mudar a situação. Agora, Iglesias também acha que essa aliança talvez não tenha sido tão boa ideia como diz Alberto Garzón, o líder da Esquerda Unida. "Se o acordo com a Esquerda Unida nos prejudicou foi porque nos relançou imediatamente como força hegemónica, não porque a Esquerda Unida provoque mais medo do que nós".

No mesmo dia, a secretária de Análise Política e Social do Podemos, Carolina Bescansa, disse em declarações à Antena 3 que "houve uma campanha suja de medo" contra o seu partido "dirigida a partir dos esgotos do Estado". Diz duvidar, porém, que tenha sido essa a verdadeira razão pela qual 13% dos eleitores não foram votar. No entender desta responsável o verdadeiro problema "é a desmobilização e não a perda de votos". Entre as eleições de 20 de dezembro e as legislativas de domingo, o Podemos, desta vez em coligação, perdeu cerca de 1,2 milhões de votos. Defendendo a continuação da coligação com a Esquerda Unida e alertando para os riscos da tentação de andar a arranjar culpados, Carolina Bescansa contestou as declarações do ex-líder da Esquerda Unida, Gaspar Llamazares, o qual defendeu que a aliança entre os dois partidos apenas serviu para amortecer a queda do Podemos.

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