1 de jun. de 2016

Eslováquia diz que migração desafiará a sua liderança da UE

Prólogo. 


Não se tratam de questões dum mercado único, nem mesmo de questões de defesa e respeito a zona de Schengen – tratam-se de mudanças, mudanças políticas que terão efeitos devastadores nos próximos anos. A dependência dos países europeus orientais à União Europeia é notória, embora muitos destes países ainda tenham um caso de amor secreto com a Rússia – no caso, refiro-me a Viktor Orban, presidente da Hungria. Robert Fico é um caso curioso, assim como Orban. Orban foi um dos percussores da adesão da Hungria à União Europeia, e o mais curioso é que o partido dele é tido como nacionalista, e eurocético. Mas o mais controverso é que seu partido faz parte da Internacional Democrata, e do Partido Popular Europeu, partidos e movimentos estes que agregam dentro deles tanto esquerdistas, quanto liberais econômicos – os movimentos e partidos em si são controversos, tal como seu partido. 


Após a queda da União Soviética, curiosamente os partidos de esquerda comunistas roxos ao invés de rodearem Moscou como moscas sob um cadáver, decidiram pular na cama com a União Europeia – a União Europeia daqueles ocidentais que principalmente “se opunham” a cortina de ferro, e eram favoráveis a um “internacionalismo do bem”, ao estilo do Federalismo Europeu. Até hoje eu fico pasmado como dentro duma organização que se diz democrática – e não o é, só pelo fato de ser internacionalista – dá tanto suporte a grupos comunistas, para que participem ativamente dentro das decisões de governança do órgão. Então, você olha para a União Europeia, e para a Rússia, e percebe que os partidos comunistas e socialistas não orbitam mais o Partido Comunista russo, mas sim a União Europeia. É por isso que há uma briga entre “direitistas” eurocéticos, e esquerdistas burocratas dentro da União Europeia, porque ambos se digladiam sobre quais políticas a organização deve tomar. 

Robert Fico fala a respeito de valores cristãos, assim como Orban também fala, no entanto, Orban ajudou a integrar a Hungria na organização, além disso, Orban hoje é um dos maiores aliados da Rússia dentro da União Europeia. Orban se posicionou favoravelmente as ações russas na Criméia, tanto é que até hoje ele apoia inteiramente Putin, e sempre votou contra as sanções econômicas. E tinha motivos para tal: recebeu 10 bilhões dos bancos russos para projetos de infraestrutura num complexo nuclear. Fico diz que é um cristão, mas Orban também o faz e mesmo assim apoia Putin, que ironicamente é um precioso aliado do Irã e da Coreia do Norte, assim também como a China – países que matam cristãos. 

Robert Fico pertence ao Partido Social Democrata – curiosamente o nome do partido de Vladimir Lenin, que é inteiramente marxista. O partido de Fico também é descrito como marxista e faz parte da Internacional Socialista, e também do Partido dos Socialistas Europeus dentro do Parlamento Europeu. Que belo cristão, não acham? Na biografia política de Fico, sabe-se que ficou a favor da invasão russa à Geórgia, e também silenciou sobre a anexação da Criméia. Há algo de muito errado nos “valores cristãos” de Fico, mas não acho que ele poderá dizer por quê. Há um motivo para que os partidos socialistas não apoiem formalmente Moscou, mas permaneçam na União Europeia, e estes motivos são como ressaltei acima: mudanças, mudanças políticas com efeitos devastadores. Os mesmos socialistas que são contra o Ocidente, são os que estão dentro duma organização supranacional empurrando uma agenda progressista, sob o falso pretexto de progresso dos países integrados ao superestado europeu.


O socialista Robert Fico


Euronews, 01 de junho de 2016.


Por Isabel Marques da Silva | Com LUSA

A um mês de exercer a presidência rotativa da União Europeia, o governo da Eslováquia visitou a Comissão Europeia para discutir as prioridades para o segundo semestre.
O primeiro-ministro, Robert Fico, admitiu que vai herdar da Holanda um dossiê especialmente controverso.
“Hoje falámos sobre a importante iniciativa da Comissão sobre a política de migração e asilo, e de facto há elementos sobre os quais não há consenso, pelo que será difícil chegar a um acordo”, disse o governante.
A Eslováquia foi um dos países mais empenhados em fechar as portas a refugiados e migrantes, que considera representarem um perigo para os valores e as tradições dos países europeus.
Há uma semana, Fico disse que “o Islão não tem lugar no seu país” e que “os migrantes não podem ser integrados, porque isso é algo impossível”.


Este tipo de comentários foi criticado pela Agência de Direitos Fundamentais da União Europeia, por fomentar a xenofobia.
Fico disse “estar ciente do papel da presidência”, que passa por “facilitar discussões e tentar que haja consensos”.
O governante sublinhou que muitas das propostas feitas pela Comissão Europeia tem recolhido concordância dos 28: “Quem pode ser contra o plano sobre o regresso de Schengen? Quem se pode opor à decisão politica de criar uma guarda fronteiriça europeia e quem se pode opor à discussão entre a UE e a Turquia?”, questionou.
O chefe de Governo eslovaco informou, ainda, que as prioridades da sua presidência serão adotadas mais para o final do mês, após a realização do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia.
Além da migração e asilo, enumerou uma “Europa mais forte economicamente” e o “fortalecimento do mercado único”.

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