27 de abr. de 2016

Salah Abdeslam julgado na França e pronto a falar

Prólogo

O advogado disse que ele tem a “inteligência dum cinzeiro”. A inteligência de cinzeiro: trouxe armas dos Bálcãs por meio da Alemanha e da Áustria; entrou com elas no país sem ser detectado; levou a cabo atentados pela cidade, mesmo com o país em estado de alerta, por conta dos ataques ao Charlie Hebdo, e outros dois ataques posteriores; conseguiu fugir para a Bélgica, entrando lá também sem ser detectado; escondeu-se na vizinhança que o encobriu de forma eficaz; planejou outro atentado enquanto foragido dentro das comunas belgas; e tem centenas de contatos com células terroristas dentro e fora da Bélgica. 

Na frente dum juiz todo mundo tem a inteligência dum cinzeiro. O único que vai demonstrar ter a inteligência dum cinzeiro é o juiz, caso aceite os argumentos da defesa. 





Euronews, 27 de abril de 2016. 

O inimigo público número um na Europa, Salah Abdeslam, único sobrevivente dos autores dos atentados de novembro 2015 em Paris, vai enfrentar a justiça do seu país de origem, a França. Este francês de 27 anos, que viveu toda a vida na Bélgica, deseja explicar os seus atos e ser julgado em França e, segundo o seu advogado belga, Sven Mary, aceitou a extradição, após ter resistido.
“Ele quer partir para França, o mais depressa possível”. – “Porque é que mudou de atitude?” – “Penso que é porque na Bélgica só existe uma pequena parte do processo e ele quer explicar os seus atos em França e isso é bom”, comentou com os jornalistas.
Em França, Abdeslam conta com a colaboração na defesa de um peso pesado da advocacia, Franck Berton. Em conjunto com o advogado belga, este cinquentão muito mediatizado pelos casos que tem defendido, vai tentar defender o indefensável.

“Encontrei um rapaz debilitado, que quer falar e penso que isso é importante porque a justiça precisa de saber, as famílias das vítimas precisam de saber e ele quer fazer isso. Foi o que percebi da conversa que tivémos, uma conversa de mais de duas horas”, disse Breton, no seu primeiro comentário sobre o caso.

O que terá Salah Abdeslam a dizer e, sobretudo, porque quer fazê-lo em França? Como irá construir a defesa, este jovem que levou uma vida dita normal até 2011 e que, de repente, se radicalizou e participou em atos terríveis?

O papel que desempenhou nos atentados é uma das principais incógnitas. Por enquanto conhece-se a sua ação na logística. Foi ele que reservou os hotéis para os terroristas, foi também ele que os conduziu no carro preto que o mundo inteiro viu. Depois, sabe-se que atravessou Paris de metro e deitou num caixote do lixo um cinto carregado de explosivos. Porquê? Talvez esta questão encerre a estratégia da defesa.

Embora se trate de “defender o indefensável”, o advogado belga acredita que, na forma como Abdeslam fala do que se passou em França, há matéria para refletir quanto à sua defesa”.
Sven Mary descreve o arguido como alguém que tem a “inteligência de um cinzeiro vazio”, um “vazio abissal”. Mas qualquer que seja o QI de Abdeslam, ele é o único a possuir as informações sobre os atentados de Paris e as indicações preciosas sobre a constituição deste tipo de células terroristas na Europa.

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