Euronews, 12/10/2022
A situação na Ucrânia e as atividades militares nas proximidades da central nuclear de Zaporíjia levaram o governo polaco a decidir estabelecer pontos de distribuição gratuita de comprimidos de iodo, em todo o país. A ameaça nuclear é real.
O vice-ministro da Administração Interna, explicava que a decisão se enquadra no âmbito da _"chamada gestão de crise. Trata-se de uma preparação para a eventualidade de um acidente numa central nuclear", referia Błażej Poboży. Acrescentando que este medicamento, "contendo o chamado iodo estável", destinam-se a bloquear a glândula da tiroide de uma possível exposição e da absorção de iodo radioativo.
"Neste momento, não existe uma ameaça real de contaminação radioativa, mas queremos estar preparados mesmo para as variantes impossíveis".
Błażej Poboży
Vice-ministro da Administração Interna da Polónia
Escolas, câmaras municipais e quartéis de bombeiros, como o de Milanówek, tornaram-se os pontos de distribuição de comprimidos. Marcin Rossak, bombeiro, adiantava que, de alguma forma, estão a participar na guerra aceitando refugiados. Referia ainda que os habitantes "sentem-se preocupados, perguntam sobre os comprimidos: quais são os procedimentos?".
Mas as consequências de tomar o medicamento também preocupam. Uma residente de Milanówek alertava para o facto de não saber quais os efeitos deste medicamento nas crianças.
O executivo prevê uma administração dos comprimidos rápida e eficaz, mas sem verificação das pessoas que se apresentam para tomá-los. Ainda assim, o secretário municipal explicava que a distribuição destes comprimidos "de iodeto de potássio terá início quando o Ministro da Administração Interna emitir o respetivo despacho". Os comprimidos serão dados a pessoas até aos 60 anos de idade e a crianças, "com o consentimento, por escrito, dos seus pais", que se apresentem nos postos de distribuição, explicava Sebastian Litewnicki.
Nas últimas semanas, muitas pessoas na Polónia começaram a comprar comprimidos de iodo, outras continuam céticas em relação ao medicamento, interrogando-se sobre os possíveis efeitos secundários, como foi o caso das vacinas, como dizia Magdalena Chodownik, em Varsóvia, para a Euronews.
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