23 de mai de 2017

Cuba realiza extração forçada de sangue desde 1960, aponta relatório




Epoch Times, 21 de maio de 2017. 




O regime revolucionário cubano superou a Stasi, a temida polícia secreta da Alemanha Oriental, a qual, em meados dos anos 1980, vendia sangue “doado” por presos políticos sob coerção à Cruz Vermelha da Baviera [1]. Cuba não só aderiu à mesma prática, mas na década de 1960 drenou em massa o sangue de presos políticos a caminho da execução, aponta relatório de 2015 do Cuba Archive, uma organização que trabalha para registrar as atrocidades do regime comunista cubano.

O Cuba Archive dispõe de informação fidedigna de pelo menos onze casos — doze comprovados e um relatado — de extração forçada de sangue antes da execução, dois de cidadãos norte-americanos: Howard Anderson e Robert Fuller. Mais relatos estão sendo investigados. A ocorrência dos incidentes registrados no decorrer de alguns anos, de 1960 a 1964, e em diferentes estados, indica tratar-se de uma prática generalizada. Relatos de ex-prisioneiros políticos sobre muitos outros casos carecem de dados mais específicos. Como as vítimas eram levadas para a extração de sangue a caminho da execução, os companheiros de cela deixados para trás não tinham como saber que isso estava acontecendo. No entanto, pode não ser coincidência que a causa da morte indicada na maioria dos certificados de óbito dos executados seja “hemorragia”.


Um ex-preso político que cumpriu pena de 1963 a 1968 na prisão Boniato, em Santiago de Cuba, confirmou ao Cuba Archive que a prática era padrão: “Em Boniato, no ano de 1963, éramos cerca de 5.000 presos políticos. Toda madrugada, dois ou três presos a caminho do paredão seriam levados a uma área especial na clínica da prisão para a extração de sangue, por trás de portas fechadas. Devido à minha deficiência (incapaz de andar), mantiveram-me na clínica da prisão. Embora não nos deixassem ver as vítimas, eu estava a cerca de doze metros de distância e podia ouvir tudo. Faziam isso a todos que iam ser executados” [2].


A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OAS), denunciou a prática na Prisão Fortaleza de La Cabaña em um relatório alarmante de abril de 1967 [3]. Nele é informado que o sangue era extraído dos prisioneiros a caminho da execução “com intenções concretas e ilícitas de… ganhos comerciais escandalosos”. De acordo com o relatório, uma média de sete pints [4] de sangue [3,5 litros, aproximadamente (N. do T.)] era extraída por pessoa, produzindo “anemia cerebral e um estado de inconsciência e paralisia”; uma vez extraído o sangue, o prisioneiro era “levado em uma maca por dois soldados até o local onde ocorriam os fuzilamentos” [5]. Acredita-se que hematologistas soviéticos e cubanos supervisionavam as extrações e conduziam os experimentos em uma clínica especial da prisão; o sangue era então vendido ao Vietnã do Norte por 50 dólares o pint [6, 7]. Além disso, exigiam-se doações de sangue dos membros da família dos presos políticos (contabilizando dezenas de milhares) antes da autorização das visitas [8]. Uma reportagem do Kingsport Post de agosto de 1966 informava sobre testemunhas oculares que fugiram de Cuba, incluindo uma que trabalhara na prisão de La Cabaña e que relatara tal atrocidade à OAS [9].

Execuções em massa cessaram depois que a insurreição de pequenos agricultores foi suprimida em torno de 1967-8, e relatos posteriores de extração forçada de sangue não são conhecidos. No entanto, Cuba continuou a vender sangue para outros países, obtendo receitas anuais de em média $30 milhões de dólares de 1995 a 2012. O sangue é sistematicamente colhido de cidadãos de toda Cuba, os quais, levados a acreditar que suas doações caridosas e desinteressadas são necessárias para salvar vidas, desconhecem que o governo cubano está envolvido em um lucrativo negócio de exportação. (Veja a seção de Relatórios do www.CubaArchive.org para estatísticas internacionais e detalhes desta prática.)

Casos de extração forçada de sangue

  1.  Howard Anderson, 19/4/1961, Pinar del Río.
  2.  Antonio Covela, 9/11/1963, La Habana.
  3.  Raúl Díaz Naranjo, 15/8/1964, Holguín.
  4.  Robert Fuller, 16/10/1960, Santiago de Cuba.
  5.  Pedro Gutiérrez Campos, 1964, Las Villas.
  6.  Oscar Hernández, 24/9/1962, Las Villas.
  7. Juan Pérez Cabrera, 15/4/1963.
  8. Florencio Recino, 28/3/1962, Las Villas.
  9. José Rodríguez Ocampo, 2/11/1963, La Habana.
  10.  Angel Ruiz Ramos, 1/12/1961, Matanzas.
  11. Elizardo Santana Bonilla, 13/3/1962, Las Villas.


Juan Pérez Cabrera, 36 anos, foi morto com um tiro na cabeça em 15 de abril de 1963, na prisão Boniato, em Santiago de Cuba, por recusar-se a dar seu sangue antes da execução. Pérez comandou um guerrilha anti-Castro. Ele e seu amigo Andrés Rodríguez esconderam-se na casa daquele durante oito meses, mas foram obrigados a fugir quando seu vizinho informou o paradeiro dos dois. O irmão de Juan, Esposo, levou-os para a Guantánamo a fim de tentarem adentrar a Base Naval dos Estados Unidos. Durante o trajeto, Andrés foi morto, e as autoridades esfregaram o rosto de Juan contra o sangue do amigo. Juan e Esposo foram capturados, e Juan foi torturado na frente do irmão. Raúl Castro estava presente em seu julgamento. Antes da execução, Juan foi levado até a clínica para ter seu sangue extraído; ele resistiu e levou um tiro na cabeça.

Elizardo Santana Bonilla, 35 anos, foi executado em 13 de março de 1962, em Calabazar de Sagua, Las Villas. Insurgente anticomunista, integrou a insurreição liderada por pequenos agricultores e era membro do grupo rebelde Claro Mollinedo, que operava nas montanhas de Escambray. Consta que seu sangue foi extraído do corpo à força antes da execução. A executora, Sara Monzón, negou-lhe o último pedido: um copo d’água.

Robert (Bobby) Fuller, 25 anos, foi executado em 16 de outubro de 1960, em Santiago de Cuba. Nascido em Cuba de pais norte-americanos, sua família retornou aos Estados Unidos quando ele era criança. Depois de servir na Guerra da Coreia, ele jurou que libertaria Cuba do comunismo. Em outubro de 1960, ele fazia parte de um grupo de aproximadamente 30 homens capturado após desembarcar em Navas Bay, estado de Oriente, para dar início a uma operação rebelde. Robert, dois outros norte-americanos e mais cinco cubanos foram rapidamente condenados à morte por um tribunal revolucionário. A execução ocorreu em um grande estádio sob uma atmosfera circense, com milhares de pessoas torcendo. Pouco antes de ser levado ao paredão, seu tio e o primo foram autorizados a vê-lo. Muito fraco, mal conseguindo permanecer em pé, e com as mãos geladas, ele lhes contou que seu sangue fora drenado do corpo à força. A família deduziu que isso era para tentar fazê-lo parecer fraco e covarde; ela não tinha ideia de que Cuba exportava sangue. Fuller deixou uma filha pequena.

Angel Moisés Ruíz Ramos, 24 anos, foi executado em 1 de dezembro de 1961. Conhecido pelo seu segundo nome, Moisés, vinha de uma família humilde e trabalhava no campo. Líder da resistência no estado de Matanzas, foi traído por uma pessoa próxima a ele. No meio da noite, as autoridades tiraram-no de sua casa, onde vivia com seus pais, e executaram-no (sem julgamento) naquela mesma noite, no cemitério de Agramonte, junto com alguns amigos. Antes de sua execução, seu sangue foi forçosamente extraído. Posteriormente a família soube que ele fora enterrado em uma vala comum.
Notas e pormenores do artigo, clique aqui. Traduzido por Horror Vermelho

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