25 de ago de 2016

Líderes do G20 precisam questionar China sobre genocídio de milhões de chineses

Policiais paramilitares abordam mulher por protestar de joelhos na frente do Grande Salão do Povo, em Pequim, em 13 de março de 2015



EpochTimes, 25 de agosto de 2016. 



A extração forçada de órgãos na China já gerou milhões de mortes, apontam investigações






Vinte dos chefes de Estado do mundo estão indo a Hangzhou, China, em 4-5 de setembro para uma reunião do G20. Quando eles fizerem uma pausa em suas discussões sobre a condição da economia mundial, eles deveriam pedir a seus anfitriões que lhes levem para uma visita ao Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Zhejiang, o maior centro de transplante de órgãos no leste da China.

A viagem ao hospital a partir do local da reunião do G20, o Centro de Exposição Internacional e Olímpico de Hangzhou, levaria cerca de 25 minutos de carro. Mas a Segurança Pública na China, embora especialista em desviar as pessoas do seu caminho, poderia facilmente ajudar a viagem de 9,6 quilômetros a ser feita em 10 minutos.

Uma vez lá, os líderes mundiais poderiam ser guiados pelas instalações pelo Dr. Zheng Shusen. Zheng é o presidente do hospital e o ex-diretor da Sociedade de Transplante de Órgãos da China.


Zheng Shusen (no centro), um prolífico cirurgião de fígado que também dirige uma organização que incita o ódio contra a prática espiritual do Falun Gong.


A China pretende ser a líder mundial em transplante de órgãos, e a carreira de Zheng fornece talvez o melhor exemplo do que isso significa.

Ele afirma ter liderado equipes na realização de 1.400 transplantes de fígado e pessoalmente transplantou centenas de fígados. Mais notavelmente, em 2005, Zheng publicou conjuntamente um artigo sobre 46 transplantes de emergência, ou sobre a rápida aquisição e transplante de um fígado para alguém que sofre de insuficiência hepática aguda.

Para um doador se tornar disponível no momento em que o paciente sofre de insuficiência hepática é necessário, em países normais, uma coincidência incomum. Mas na China, onde não há qualquer sistema de correspondência de órgão conectando hospitais com outros serviços e regiões, transplantes de fígado sob demanda feitos 46 vezes numa única instituição deixam de ser uma questão de coincidência. Os especialistas concordam que os fígados devem ter vindo de doadores que tiveram seu sangue e tecidos identificados previamente enquanto eram mantidos em cativeiro. Quando o paciente certo aparece, o doador é executado e o fígado transplantado.

A carreira médica de Zheng esta baseada nesse tipo de atividade.

Genocídio

Nós sabemos sobre o Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Zhejiang e sobre as atividades de Zheng por causa do relatório “Bloody Harvest/The Slaughter: An Update” (“Colheita sangrenta/A matança: Uma atualização”, tradução livre), publicado em junho deste ano. O relatório investiga as fontes de informação pública na China para apresentar um retrato detalhado dos mais de 700 hospitais que realizam transplantes de órgãos na China.

Quantos leitos cada hospital possui e a frequência com que são utilizados. Quanto tempo os pacientes esperam para receber os órgãos e quais são as taxas de transplante propagandeadas pelos hospitais. O relatório fornece essas informações e muito mais.


O Primeiro Hospital Afiliado da Escola de Medicina da Universidade de Zhejiang em 2012. 


Analisando os dados brutos, os autores (o ex-secretário de Estado canadense David Kilgour, o advogado internacional de direitos humanos David Matas e o jornalista Ethan Gutmann) apresentam uma imagem muito mais precisa do que nunca sobre a política sinistra da extração forçada de órgãos na China.

Eles estimam que, entre 2000 e 2015, uma média de 60 a 100 mil transplantes de órgãos foi realizada a cada ano na China.

Estes transplantes têm um custo terrível.

O sistema de transplante de órgãos chinês é ineficiente e cheio de desperdício. Por exemplo, de acordo com o vice-diretor de um centro de transplante chinês, apenas dois hospitais na China são capazes de fazer simultaneamente transplantes com órgãos múltiplos de um único doador. O resultado? Na grande maioria dos casos, um órgão transplantado significa um doador morto.

Os autores do relatório não deram uma estimativa de quantos foram mortos para abastecer a indústria de transplante da China, mas, se alguém fizer os cálculos, o número muito provavelmente ultrapassará um milhão.

Os autores também descobriram que a partir de 2000, esse sistema gigante de transplante de órgãos foi construído quase do nada. Nos 15 anos seguintes em toda a China, departamentos de transplante foram criados, cirurgiões treinados e hospitais construídos ou alas especiais adicionadas num ritmo frenético.

O ano de 2000 é significativo porque o regime chinês começou a perseguir a prática espiritual do Falun Gong (também conhecido como Falun Dafa) em julho de 1999. O Falun Gong envolve viver de acordo com os princípios da verdade, compaixão e tolerância e a prática de exercícios meditativos lentos e suaves.

O então líder chinês Jiang Zemin temia a popularidade do Falun Gong e estava preocupado que o povo chinês achasse os ensinamentos morais tradicionais do Falun Gong mais atraente do que a doutrina do Partido Comunista. Uma pesquisa oficial mostrou que havia mais de 70 milhões de chineses que aderiram à prática. Fontes do Falun Gong dizem que em 1999 havia mais de 100 milhões de praticantes. Então, Jiang Zemin ordenou que o Falun Gong fosse erradicado.

De acordo com o testemunho de cirurgiões de transplante e hospitais chineses, os órgãos são obtidos com a cooperação dos sistemas de Segurança Pública e judiciais. Como um hospital vangloriou em seu sítio da internet, essa relação “é sem precedentes no mundo”.

Os autores do relatório concluem que a indústria de transplante decolou na China quando uma fonte aparentemente inesgotável de órgãos se tornou disponível, ou seja, as dezenas de milhões de praticantes do Falun Gong. Os autores acreditam que a maioria dos órgãos veio de praticantes que foram detidos pelo regime chinês e mantidos encarcerados como um banco de órgãos.

E os autores dizem que isso é um genocídio. Numa entrevista anterior, Gutmann disse: “É um genocídio em câmera lenta; uma gota, outra gota, e mais outra…, genocídio.” Na China, o assassinato em massa tem resultado em um rim, um fígado e um coração de cada vez.

Ódio

O genocídio é possível graças a um clima de opinião que considera um grupo de pessoas não mais seres humanos.


David Matas, um premiado advogado canadense de direitos humanos e coautor do livro “Colheita Sangrenta: A extração forçada de órgão de praticantes do Falun Gong na China”, numa cena do documentário “Davids and Goliath”.


Numa entrevista anterior, David Matas disse: “Se você observar toda a propaganda contra o Falun Gong, é incitamento ao ódio do tipo mais vil … dentro do contexto chinês, em que não há declarações contrárias … é incitamento ao ódio, incitação ao genocídio.”

Em Hangzhou, o homem responsável por incitar o ódio contra o Falun Gong é o incansável cirurgião de transplante Dr. Zheng.

Zheng é o cabeça da Associação Provincial Anticulto de Zhejiang. Quando os cidadãos de Hangzhou são bombardeados com mensagens que descrevem os praticantes do Falun Gong como vermes imundos e incitam seu extermínio, essas mensagens foram publicadas sob a direção de Zheng.

Quando os brutamontes do regime chinês tentam forçar os praticantes do Falun Gong a desistir de suas crenças, eles estão seguindo um roteiro definido pela Associação Anticulto dirigida por Zheng.

Esse roteiro envolve tortura e Zheng é visto frequentemente na mídia chinesa em eventos com o chefe da Agência 610, uma organização do Partido Comunista Chinês encarregada de aprisionar e torturar os praticantes do Falun Gong.

Um economista poderia dizer que Zheng trabalha tanto no lado da oferta quanto no da demanda no negócio de genocídio. Ele promove o ódio que torna possível o genocídio e, em seguida, em suas esterilizadas salas de operações, ele conduz o trabalho minucioso que gera grandes lucros para ele e seu hospital.


Os ministros das finanças e presidentes de bancos centrais das 20 economias mais desenvolvidas na reunião do G20 em Chengdu, China, em 24 de julho de 2016.


G20

Se alguém reconhecesse que o esforço de perseguir um grupo específico de pessoas e construir uma indústria em torno de sua execução é um genocídio, também se poderia pensar que o contexto em Hangzhou é no mínimo embaraçoso.

Dezessete membros do G20 aderiram ou ratificaram o tratado que se destina a processar pessoas como Zheng, ou seja, a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio. Japão, Indonésia e a União Europeia são as exceções.

Os signatários da convenção concordam em “prevenir e punir” o genocídio. Não houve conclusão formal pela ONU de que ocorreu genocídio, e, na ausência disso, talvez as obrigações decorrentes da convenção não tenham efeito.

No entanto, a decisão de 2007 pelo Tribunal Internacional de Justiça no caso da ex-Jugoslávia considerou que “a obrigação do Estado para impedir [o genocídio] e o correspondente dever de agir surgem no instante em que o Estado descobre, ou deveria normalmente ter tido o conhecimento, sobre a existência de um risco grave de que o genocídio será cometido”.

Após a publicação em junho do relatório “Colheita sangrenta/A matança: Uma atualização”, os signatários da Convenção do Genocídio foram alertados de que havia um “risco grave” de que o genocídio estava ocorrendo na China.

O genocídio é considerado no direito internacional como o “crime dos crimes”. O prefácio da Convenção do Genocídio diz que isso é “condenado pelo mundo civilizado”.

E assim deve ser. A civilização estima e desenvolve nossa humanidade. Ao tratar todo um grupo de pessoas como se fosse gado de abate, o genocídio em Hangzhou e em toda a China põe em causa a própria base da civilização. Todas as nações têm o interesse em parar o genocídio, porque todas as nações têm o interesse em preservar a ideia de nossa humanidade comum.

Quando os líderes mundiais se reunirem em Hangzhou, eles deveriam fazer uma visita ao Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Zhejiang, e depois se sentarem com os líderes do regime chinês e fazerem uma pergunta simples: Quando isto vai parar?


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