19 de out de 2017

Nova era Comunista na China e a consolidação do poder do atual ditador




Epoch Times, 18 de outubro de 2017 


Por Annie Wu



É esperado que aliados de Jiang Zemin sejam expulsos e que tomem seu lugar os aliados de Xi

O iminente 19º Congresso Nacional na China será acompanhado de perto enquanto o partido se desloca para sua próxima geração da elite governante. Os funcionários mais poderosos a serem anunciados serão os membros do Comitê Permanente do Politburo, que atualmente tem 7 lugares. Na verdade, este é o órgão decisório mais importante do Partido Comunista Chinês (PCCh), e é esperado que o atual líder Xi Jinping lidere o comitê novamente.

O Comitê Permanente faz parte do mais alto Politburo, que tem 25 lugares no total.


Na campanha de Xi Jinping para consolidar seu poder, eliminando seus inimigos através de sua luta contra a corrupção, 11 dos 25 membros já foram expurgados. A reestruturação tem observadores e analistas que tentam adivinhar quem irá assumir os postos mais altos.

Entre os nomes mencionados está Cai Qi, de 61 anos, que conhece Xi há quase 20 anos. Cai trabalhou para Xi quando este ocupou os cargos mais altos nas províncias de Fujian e Zhejiang. Depois que Xi Jinping assumiu o poder, Cai foi promovido a chefe do partido de Pequim. Analistas especulam que Cai será promovido ao Politburo, o que seria uma ascensão meteórica para ele, dada a sua relativa falta de experiência.


Chen Min’er, que foi nomeado para substituir o recém-expulso Sun Zhengcai como chefe do partido de Chongqing, também foi mencionado como um grande aliado de Xi. Os analistas acreditam que ele poderá tornar-se membro do Comitê Permanente.

Enquanto isso, não está claro se o braço direito de Xi, Wang Qishan, permanecerá no Comitê Permanente. Em 2002, o ex-chefe do Partido, Jiang Zemin, impôs o requisito de que os funcionários se aposentem aos 68 anos (Wang completou 69 em julho), como parte dos esforços de Jiang para manter o controle sobre o Comitê Permanente.


No entanto, não será uma grande surpresa se Wang permanecer, apesar dessa regra informal. Em particular, Wang tem liderado a campanha anticorrupção de Xi, e Xi apontou que não irá necessariamente atender às expectativas dos outros.

Muitos funcionários que foram removidos por Xi eram aqueles leais ao ex-presidente Jiang Zemin, e formam uma facção adversária. Por exemplo, Sun, membro do Politburo que já foi considerado um provável sucessor de Xi Jinping, foi expulso por manter estreitas relações com o partidário de Jiang, Zeng Qinghong.

Outros membros do Politburo que fazem parte da facção de Jiang estão em idade de se aposentar, incluindo Zhang Dejiang, membro do Comitê Permanente que subiu de cargo devido ao apadrinhamento político de Jiang; Meng Jianzhu, chefe do aparelho de segurança e membro bem conhecido da “gangue de Xangai” (grupo de funcionários que alcançaram o poder através de vínculos com Jiang quando ele foi secretário do partido de Xangai); e o membro do Comitê Permanente (Liu Yunshan), chefe do poderoso departamento de propaganda. No ano passado, o corpo disciplinar do Partido investigou e criticou abertamente o departamento de Liu, sugerindo uma possível reestruturação do partido.

Sob a liderança de Jiang na década de 2000, muitos funcionários foram promovidos ou recompensados com base em seu desempenho na campanha para erradicar a prática espiritual do Falun Dafa (também conhecida como Falun Gong), uma disciplina de auto-cultivo que ensina os princípios da Verdade, Compaixão e Tolerância. Jiang encarou a existência do Falun Dafa como uma ameaça ao regime autoritário do Partido e, em julho de 1999, lançou uma campanha para acabar com a prática. Desde então, milhões de pessoas foram submetidas à prisão, “lavagem cerebral” e tortura, de acordo com relatórios do Centro de Informação do Falun Dafa e com o site Minghui.org.

Tanto Liu como Meng alçaram posições políticas através da perseguição ao Falun Dafa.

Muitos mais funcionários ligados a Jiang continuam sendo alvo dos expurgos de Xi.

Em breve, o Comitê Central, composto pelos principais funcionários do Partido, “elegerá” os membros do Politburo no 19º Congresso Nacional. Mas, na realidade, os membros já estão determinados através de jogos de poder que acontecem nos bastidores.

Mesmo assim, é digno de nota ver quem se tornará parte do Comitê Central, que também será reestruturado durante o Congresso. Dos 205 membros, 99 estão em idade de se aposentar ou já se aposentaram, enquanto 21 membros foram punidos ou removidos do Comitê, de acordo com o jornal Ming Pao, de Hong Kong.

Colaborou: Gu Qing’er


Xi Jinping anuncia “nova era socialista” para China em discurso no 19º Congresso


A China florescerá sob "uma nova era de socialismo com características chinesas", foi o tema de Xi em seu discurso de três horas e meia em Pequim

Xi Jinping lançou um novo slogan em seu discurso de abertura ao 19º Congresso Nacional.

A China florescerá sob “uma nova era de socialismo com características chinesas”, foi o tema de Xi em seu discurso de três horas e meia em Pequim. Dirigido aos membros do Partido que se reúnem a cada cinco anos para o conclave político, quando o Partido Comunista Chinês (PCC) anuncia a próxima geração de dirigentes de alto escalão, Xi descreveu um futuro no qual a ideologia do Partido levará a China a se tornar uma verdadeira potência global.

Os ouvintes podem supor que Xi, que deverá continuar governando por mais cinco anos, vê a si mesmo como o líder desta “nova era” da China, um termo mencionado 38 vezes durante seu longo discurso. Todo o congresso, que irá até 24 de outubro, é um evento altamente orquestrado, ainda que decifrar o jargão do partido no discurso de Xi seja útil para entender como ele planeja governar a China.

Xi passou os últimos cinco anos, desde que se tornou líder do regime chinês, consolidando seu poder, derrubando a facção opositora através de sua abrangente campanha anticorrupção. Seu discurso no 19º Congresso mostra um homem que tem o controle total do Partido, mas também um homem que teme que o Partido perca o controle da sociedade.

“Xi reitera uma e outra vez que o Partido é onipresente e o único caminho a seguir para a China. O governo, o exército, o povo e as escolas – norte, sul, leste, oeste e centro – o Partido governa todas as coisas”, disse ele.

Ele advertiu ser contra a aplicação “forçada” à China de estilos de governo ocidentais, anulando com isso as esperanças de uma verdadeira reforma política ao considerar o “socialismo com características chinesas” como o núcleo do passado, presente e futuro da China.

Em um dado momento, Xi explicou o que significa esta “nova era”: “O povo chinês que sofreu longas dificuldades dará as boas vindas e acolherá com aprovação um grande salto para levantar-se, tornar-se rico e poderoso”.

“Levantar-se” é uma referência ao discurso pronunciado em 1949 por Mao Zedong, que afirmou que os chineses se “levantaram” e triunfaram depois que o PCC assumiu a China, enquanto “enriquecer” é uma menção às reformas econômicas de Deng Xiaoping. Xi se vê como pertencente à mesma linhagem de Mao e Deng, e isso implica em que sua contribuição para o legado do PCC será permitir que a China se torne poderosa no cenário mundial.

Xi até estabeleceu um cronograma para o país: até 2035, a China se tornará uma sociedade na qual as necessidades materiais da população serão atendidas, enquanto em 2050 a China se tornará um “socialismo totalmente modernizado”.

Este vislumbre do futuro pode ser uma pista de que Xi pretende, segundo rumores, estender seu domínio para além da convenção do Partido estabelecida em dois períodos de cinco anos.

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