3 de ago de 2017

China usa guerra política para influenciar Estados Unidos

O perigo ilustrado



Epoch Times, 03 de agosto de 2017 






Os sistemas de guerra política do PCC ainda estão sob a influência da facção liderada pelo ex-líder Jiang Zemin

Termos comumente usados durante a Guerra Fria emergiram novamente em meio a alegações de que a Rússia tentou interferir com as eleições de 2016 nos Estados Unidos. Tais palavras e frases, praticamente esquecidas recentemente, incluem ‘medidas ativas’, ‘agentes de influência’ e ‘desinformação’, e estão ligadas a campanhas destinadas a alterar a percepção pública e influenciar a tomada de decisões políticas.

Embora tenha sido uma luta provar que a suposta campanha da Rússia para influenciar as eleições presidenciais dos EUA tenha surtido algum efeito, essas estratégias de influência estão, de fato, sendo usadas em grande parte contra os Estados Unidos — somente agora, a maioria das alegações apontam não para a Rússia, mas para o Partido Comunista Chinês (PCC).

Todos esses sistemas se enquadram numa estratégia guarda-chuva conhecida como ‘guerra política’, e o regime chinês tem pelo menos um ramo militar inteiro e dois ramos políticos, bem como sistemas de larga escala de controle de informações, para atingir seus objetivos em escala massiva.
"“Nós ainda nem começamos a nos coordenar para assumir esse desafio”, disse Richard Fisher, membro sênior em assuntos militares da Ásia no International Assessment and Strategy Center.

“Qualquer atividade política empreendida por uma ditadura que, no seu núcleo, se dedica à destruição da liberdade, justifica a ampla atenção dos órgãos de segurança ocidentais”, afirmou.

“Nós ainda nem começamos a nos coordenar para assumir esse desafio” — Richard Fisher, membro sênior em assuntos militares da Ásia no International Assessment and Strategy Center

A guerra política é um sistema único de luta que almeja muitas coisas que normalmente não consideramos como alvos militares, usando os sistemas que a maioria de nós não consideraria como armas.

“A guerra política procura influenciar emoções, motivos, raciocínio objetivo e comportamentos de governos, organizações, grupos e indivíduos estrangeiros de maneira favorável aos próprios objetivos político-militares”, afirma um relatório de 2013 sobre as operações de guerra política do Partido Comunista Chinês do think tank de política e segurança Project 2049 Institute.

Esta forma de guerra pode incluir qualquer quantidade de métodos que possam alterar a opinião pública ou vertentes políticas. Pode assumir a forma de um agente de influência rindo e apertando as mãos nos círculos políticos ou empresariais; lindas espiãs que tem sido enviadas atualmente não somente com o intuito de espionar mas também de casar com políticos estrangeiros e formadores de opinião; acordos financeiros permitindo aos agentes exercer influência sobre uma indústria específica; ou professores e funcionários de think tanks recebendo convites para palestrar na China, onde são induzidos a pensar que o mundo está errado sobre o PCC.

Até mesmo as sociedades civis são alvo. As campanhas incluem propaganda do PCC patrocinada em mídias estrangeiras, como a inserção da seção ‘China Watch’ publicada por jornais americanos, incluindo The Wall Street Journal e The Washington Post.

Por esses meios, os sistemas de guerra política do PCC visam a alterar as visões estrangeiras sobre suas políticas, estabelecer novas interpretações de seu domínio autoritário ou influenciar a política externa para promover seus interesses.

“Em uma campanha orquestrada sobre ‘bom policial / mau policial’, autoridades chinesas foram diretamente sobre a opinião pública dos EUA, tentando apelar para o sentido sentimentalista de cooperação e parceria, enquanto literalmente ameaçam guerra”, afirma o relatório do Project 2049 Institute, citando um relatório de J. Michael Waller do Institute of World Politics.

“A operação está voltada para cinco níveis: o público americano em geral, os jornalistas que influenciam o público e os tomadores de decisão, as elites empresariais, o Congresso e o presidente com seu círculo íntimo”, afirma.

Uma guerra invisível

O PCC possui vários departamentos fortemente focados na guerra política. Estes incluem o Departamento Político Geral dos militares, bem como o Departamento de Propaganda, o Departamento da Frente Unida e o Ministério de Relações Exteriores da China.

De acordo com Fisher, no entanto, suas operações não se limitam a apenas esses departamentos, e “pode haver uma sobreposição extensa entre eles — isso não é incomum nos empreendimentos chineses de medidas ativas”.

“Na China, a inteligência está estratificada”, disse Fisher. Os serviços de inteligência do regime estão em quase todos os níveis, em qualquer cidade, “e podem ser autorizados a executar operações independentes e internacionais”.

Ele também observou que não existe um padrão para as operações de guerra política — o foco é o objetivo, não o método.

“Sem nenhuma ordem de prioridade, eles podem decidir comprometer um alvo político, selecionando um alvo político, e difamando-o, manchando sua reputação. Também podem incluir propaganda de curto ou de longo prazo sofisticada, ou campanhas de informação direcionadas”, afirmou Fisher, acrescentando que, entre muitas outras coisas, a guerra política inclui a adulteração de informações ou a fabricação de informações falsas.

A guerra política possui nomes diferentes sob diferentes regimes. O léxico do regime chinês se refere a ela como ‘tarefas de conexão’, de acordo com o Project 2049, enquanto a União Soviética se referia a ela como ‘medidas ativas’.

Além disso, ela também se sobrepõe a muitas outras formas de guerra não convencional. Entre seus principais componentes está a guerra psicológica, usada para impactar a vontade de um oponente de lutar, ou mudar sua interpretação dos fatos. Um exemplo seria a propaganda soviética que inflamava a opinião pública nos Estados Unidos com o objetivo de acabar com a Guerra do Vietnã.

A guerra psicológica sob as Forças Armadas do PCC “é o emprego da psicologia, através de meios como a propaganda, para esgotar a vontade da sociedade militar e civil de um oponente, bem como para combater o esforço de um oponente para fazer o mesmo”, afirma Dean Cheng, em um relatório de 2012 no Special Warfare, o boletim de operações especiais do Exército dos EUA.

No PCC, essas mesmas ações são empregadas diretamente em sua estratégia militar. O conceito de ‘Três Guerras’, do regime comunista, usa: guerra psicológica, guerra midiática (para propagar propaganda) e guerra jurídica (para manipular sistemas legais), de acordo com um relatório de 2015 do Comando de Operações Especiais dos EUA.

Ele sublinha que, sob o PCC, “a guerra midiática busca influenciar a opinião pública nacional e internacional a fim de costurar apoio para ações militares e dissuadir adversários com suas ações contrárias aos interesses da China”, enquanto a guerra jurídica “usa leis internacionais e nacionais para evocar instâncias legais superiores ou afirmar interesses chineses”.

Movimentos subversivos

Os objetivos das operações de guerra política do PCC e seus agentes olheiros precisam ser examinados em perspectiva.

Realizar operações de inteligência visíveis, ‘abertas’ e tecnicamente legais requer o uso de agentes de influência estrangeiros, que geralmente são recrutados da diáspora de cidadãos do regime que vivem no exterior ou de devotos à ideologia do regime.

O principal culpado da guerra política costumava ser a Rússia sob a União Soviética. Suas principais ferramentas para essas operações foram seus apoiadores ideológicos em sociedades estrangeiras — jornalistas, professores e organizadores comunitários de ativismo, por exemplo.

Ela recrutou esses ‘agentes de influência’ — muitas vezes não oficiais — através da subversão ideológica, convertendo-os em crentes de sua doutrina comunista. Fisher disse que “em geral, a força terrestre soviética estava inclinada ideologicamente”, uma vez que os soviéticos não tinham grandes comunidades étnicas ao redor do globo a quem pudessem recorrer.

Isto difere das operações russas de guerra política atualmente, as quais são comparativamente limitadas. Seus apoiadores ficam tipicamente isolados em suas respectivas regiões, nos países do leste europeu, e somente nas comunidades étnicas russas.

A maioria de suas operações de guerra política no exterior, como nos Estados Unidos, são realizadas por um número menor de espiões mais oficiais e por meios eletrônicos — tais como mídia estatal on-line, postagens em mídia social e ciberataques.

O PCC, no entanto, mantém tanto agentes de sua diáspora étnica como também apoiadores de sua ideologia, em níveis próximos dos que os soviéticos tiveram durante a Guerra Fria. A principal diferença, de acordo com Fisher, é o que eles pretendem realizar e quais os passos que eles estão dando para atingir seus objetivos.

De acordo com um relatório de 2013 do Council on Foreign Relations, os Estados Unidos costumavam monitorar e combater tais operações, mas “o governo dos EUA perdeu o hábito de travar a guerra política desde o fim da Guerra Fria”.

Objetivo de longo prazo

Os sistemas de guerra política do PCC ainda estão sob a influência de uma facção liderada pelo ex-líder do PCC Jiang Zemin, que oficialmente governou o partido de 1989 a 2002. A facção de Jiang ainda tem influência sobre vários órgãos-chave do regime — como de propaganda e de segurança — fato que tem colocado o atual líder, Xi Jinping, numa situação de vida ou morte.

Os objetivos do sistema de Jiang diferem de várias maneiras dos sistemas de guerra política anteriores. As operações de guerra política da União Soviética, por exemplo, visavam mais diretamente a desestabilizar as sociedades estrangeiras para fomentar a revolução comunista e, assim, exportar seu modelo político e ideológico.
"Os sistemas de guerra política do PCC ainda estão sob a influência de uma facção liderada pelo ex-líder do PCC Jiang Zemin, que oficialmente governou o partido de 1989 a 2002

Os objetivos de guerra política do PCC, no entanto, não são tão simples, e de acordo com Fisher, eles parecem estar fazendo jogo duplo.

A primeira etapa, segundo ele, é aumentar o poder político e econômico do PCC globalmente e “promover a ideia e convencer a maior parte do mundo da inevitabilidade da ascensão da China”. O regime comunista continuará nesta fase, disse ele, até que seja capaz de depor os Estados Unidos da posição de “autoridade estratégica e política central ao redor do globo”.

Se alcançar este objetivo, passará para a segunda fase, de exportação do ‘modelo China’ autoritário de governança. Fisher disse que, nesta fase, suas operações “estariam muito mais próximas do método soviético de ‘medidas ativas’, o que significaria sair e defender o modelo da China — atacar e derrotar toda oposição à posição da China”.

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