4 de abr de 2017

Malásia – parlamentar muçulmano diz “ok” para estupradores se casarem com suas vítimas, até mesmo criancinhas de 9 anos de idade

Datuk Shabudin Yahaya



AsiaOne, 04 de abril de 2017. 






O MP de Tasek Gelugor, Datuk Shabudin Yahaya disse que, embora o estupro seja um crime, ao estuprador e a vítima deve ser “dada uma segunda chance para virar a página para uma nova vida”. 

Kuala Lumpur – Não há nada de errado com uma vítima de estupro se casar com o estuprador, de acordo com um legislador do partido Barisan Nasional, que até sugeriu que algumas crianças de nove anos estavam “fisicamente e espiritualmente” prontas para o casamento. 

O MP de Tasek Gelugor Datuk, Shabudin Yahaya, ao tentar refutar a doutora Siti Mariah Mahmud (Amanah-Kota Raja), disse que algumas meninas de 12 e 15 anos de idade pareciam mais velhas do que suas idades reais. 

Quando falamos de 12 e 15 anos de idade, não vemos isso em seus corpos físicos porque algumas crianças de 12 ou 15 anos, têm os seus corpos como de mulheres de 18 anos”, disse Shabudin ao Dewan Rakyat nessa terça-feira. 

O ex-juiz da corte da Syariah [Sharia, ou Xaria] acrescentou que algumas meninas que atingiram a puberdade quando tinham nove anos de idade estavam “fisicamente e espiritualmente” prontas para o casamento. 

Portanto, não é impossível para elas se casarem”, disse Shabudin, acrescentando que não havia “nada de errado” com uma vítima de estupro casar-se com o estuprador, pois poderia servir de “remédio” para o crescente número de problemas sociais. 

Shabudin disse isso quando debatia sobre a Lei de Crimes Sexuais contra Crianças 2017 depois de vários legisladores da oposição sugerir a alteração para incluir casamentos infantis como um crime

Ele disse que, embora o estupro seja um crime, ao estuprador e a vítima deveria ser “dada uma segunda chance para virar a página para uma nova vida”. 

Talvez através do casamento eles possam levar uma vida melhor e saudável, e a pessoa que foi estuprada não tenha necessariamente um futuro sombrio. Ela terá um marido, pelo menos, e isso poderia servir como um remédio para problemas sociais crescentes”, disse ele. 

A doutora Siti Mariah, no entanto, argumentou que permitir que o estuprador se case com a vítima não garantiria uma vida melhor. 

Eu não concordo com casar a vítima com o estuprador. Se o estuprador se arrepender, talvez isso seja bom, mas e se o marido for “haprak (inútil)?” disse ela. 

Teo Nice Ching (partido DAP-Kulai) citou dois  casos de vítimas se casando com os agressores, e argumentou que os casamentos acabaram se tornando mais problemáticos, causando mais sofrimento. 

Ela disse que um dos casos envolveu um homem de 35 anos de idade, em Negri Sembilan, que se casou com uma menina de 14 anos com uma deficiência depois de supostamente violá-la. O homem violou então a sua cunhada de 11 anos e forçou sua esposa a filmá-lo cometendo o ato

No entanto, citando sua experiência como juiz, Shabudin disse que Teo não deve generalizar a questão, como tem havido em muitos casos em que tais casamentos terminaram em divórcio. 

A moça se torna mais segura quando casada do que quando deixada sozinha, não pense que eles (estupradores) continuam sendo maus”, disse ele. 

A ação de Teo em emendar no projeto Crimes Sexuais Contra Crianças a inclusão de casamentos de crianças como um crime foi derrotado por um voto de boca.  

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