31 de mar de 2017

Steinitz para o JPOST: "O engajamento do Irã na Síria é uma ameaça ainda maior para Israel do que o próprio Estado Islâmico"





JPOST, 30 de março de 2017. 






Com o fim da guerra civil síria presumivelmente à vista, Israel e os outros países da região estarão enfrentando uma séria questão. 

Enquanto as potências mundiais se concentram em derrubar o Estado Islâmico, o Irã em silêncio vai ganhando força na Síria – representando uma ameaça direta a Israel, e aos países do leste do Mediterrâneo e de toda a Península Arábica, de acordo com o ministro da Infraestrutura, Energia e Água Yuval Steinitz. 

É muito fácil e convincente se concentrar no Estado Islâmico”, disse ele ao The Jerusalem Post. “Mas temos dois desafios na Síria: um é o Estado Islâmico e o outro o Irã. A maior ameaça está vindo do Irã, e não apenas de seu programa nuclear. A ameaça mais imediata e urgente é o plano iraniano de transformar a Síria, depois que esta horrível e brutal guerra civil terminar, em algum tipo de extensão do Irã”. 


Steinitz ressaltou a urgência de reconhecer a ameaça iraniana para toda a região, em uma entrevista à frente da Conferência Anual do Jerusalem Post em Nova York, em 07 de maio, onde ele estará lá para falar. Enquanto Teerã tem estado ativo perto de Israel por meio de parceiros como o Hamas e o Hezbollah, a República Islâmica pode estar construindo uma presença direta na região, enquanto a Síria continua a desmoronar, alertou o ministro. 

O rótulo ainda vai implicar que aquela é a Síria, mas vai se tornar na realidade uma extensão do Irã”, disse ele. “A Síria também se tornará uma base militar iraniana”. 

Com o fim da guerra civil síria à vista, Israel e os outros países da região estarão enfrentando uma séria questão, de acordo com Steinitz. 

O que vamos conseguir em nossa fronteira norte?”, Ele perguntou. 

O que a Jordânia, a Arábia Saudita e a Península Arábica estarão fazendo na frente norte? O que a Turquia, Grécia, Chipre e Israel receberão no Mediterrâneo Oriental? Devemos enfrentar uma Síria enfraquecida ou um Irã mais forte? Embora possa levar vários anos para o Irã realizar as suas ambições e construir uma presença militar permanente na Síria, o país poderia eventualmente estabelecer uma força aérea e uma presença naval lá, bem como um arsenal de mísseis balísticos,” explicou Steinitz. O ministro descreveu tal situação como um “desenvolvimento muito perigoso”.  

Não queremos ter uma fronteira militar direta com o próprio Irã. É claro que é uma grande ameaça também para a Jordânia e para toda a Península Árabe”, disse ele. 

Se isso acontecer, será um novo Oriente Médio e toda a Península Árabe será realmente cercada por forças iranianas”. 

Uma presença iraniana no Mediterrâneo Oriental é uma realidade que os Estados Unidos e a Otan também estão buscando evitar”, continuou Steinitz. 

Portanto, é tempo para a comunidade internacional em geral e as superpotências, Estados Unidos e Rússia, em particular, sentarem-se juntos para evitar este cenário”, disse ele. 

Durante sua visita a Washington no começo de março, Steinitz se encontrou com o seu colega norte-americano, o secretário de Energia, Rick Perry, bem como com um bom número de outros funcionários do governo Trump, durante o qual enfatizou esses mesmos pontos. 

Este é o próximo desafio para a comunidade internacional, e para os Estados Unidos e o Oriente Médio – prevenir a tentativa iraniana de usar ou abusar da situação”, disse ele as autoridades. 

Até agora, Steinitz disse que “a nova retórica” de Washington sobre a questão é encorajadora. 

Nós ouvimos [o presidente Donald] Trump e seu pessoal dizendo que o Irã deve ser contido, e que o Irã está desestabilizando todo o Oriente Médio e que o Irã deve parar e adiar o uso de seus mísseis inter-balísticos de longo alcance”, disse ele, observando que esses mísseis representam uma ameaça para a Europa ou até mesmo os Estados Unidos. 

Até agora a retórica é boa, mas agora vamos esprar para ver o que se seguirá”, acrescentou.

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