23 de jan de 2017

Runião entre governo e rebeldes sírios começa com insultos



Euronews, 23 de janeiro de 2017. 



Por Ricardo Figueira



Pela primeira vez, desde o início da guerra na Síria há mais de cinco anos, os representantes do governo de Bashar el-Assad e da oposição armada sentam-se à mesma mesa.

As reuniões acontecem em Astana, capital do Cazaquistão, sob iniciativa da Rússia e da Turquia.

Desta ronda estão afastados os grupos considerados terroristas pela comunidade internacional – O Daesh e a Jabhat Fateh al-Sham, antiga frente al-Nusra. Mesmo assim, o embaixador sírio na ONU, Bashar Ja’afari, não hesita em chamar terroristas aos grupos presentes: “O tom do representante dos terroristas foi um insulto aos presentes na reunião”, disse.



Mesmo se não são as primeiras conversações de paz, as anteriores, em Genebra, contaram apenas com grupos de oposição que não participam ativamente na guerra.

Osama Abo Zayd, representante do Exército Livre Sírio, disse: “O sucesso da Rússia como garante de paz só pode ser medido pela forma como lida com o desafio de impor um cessar-fogo aos seus aliados – o Irão e o regime sírio”.

A Rússia e a Turquia tentam, com esta ronda, alcançar um cessar-fogo entre as tropas governamentais e os rebeldes considerados moderados e uma união no combate ao grupo radical Estado Islâmico.

O foco dos combates está agora em Deir el-Zour, uma cidade do leste da Síria ainda ocupada pelo Daesh.

A aviação russa bombardeou, pela segunda vez em três dias, as posições do grupo radical. Segundo os media sírios, os últimos combates, na zona do cemitério da cidade, mataram dezenas de combatentes do grupo radical e destruíram um grande número de veículos.




A capital do Cazaquistão, Astana, acolhe desde hoje uma nova ronda de negociações de paz sobre a Síria, sob os auspícios da Rússia, Turquia e Irão.

Um esforço marcado já pela recusa dos rebeldes em negociarem à mesma mesa com a delegação do presidente Bashar Al-Assad.

Os representantes do chamado Exército Livre Sírio, o maior grupo de rebeldes, apoiado pela Turquia, afirmam que Damasco não está a respeitar o cessar-fogo acordado a 30 de dezembro.


A oposição critica ainda o papel de mediador da Rússia, num momento em que continua a exigir que Moscovo pressione as milícias xiitas do Hezbollah libanês, aliadas de Bashar Al-Assad, a retirar-se do conflito.

O frágil cessar-fogo decorre depois da aviação síria e russa terem sido acusadas de visarem alvos civis e grupos da oposição, durante a ofensiva do regime que permitiu retomar os bairros rebeldes da cidade de Alepo.

As negociações em Astana, para já indiretas, deverão centrar-se na questão do reforço da trégua no terreno, quando Damasco continua a exigir o desarmamento dos rebeldes para discutir a reconciliação.

A ONU e os EUA, representado pelo embaixador do país no Cazaquistão, participam igualmente nas discussões, quase um ano após o fracasso de uma primeira trégua negociada pelo enviado das Nações Unidas para a Síria.

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