1 de set de 2016

Por dentro da ‘Estufa’: O Irã está pondo em marcha uma guerra secreta na Síria custando bilhões ou mais diz o chefe do serviço secreto perto do aeroporto de Damasco




MailOnline, 30 de agosto de 2016. 







O Irã está colocando em andamento um plano secreto de um QG em Damasco apelidado de “a Estufa” e comandando por um enorme exército secreto em apoio a Assad, segundo o vazamento da inteligência, passado por ativistas ao MailOnline. 

O Conselho Nacional de Resistência do Irã (NCRI) afirma que o estado teocrático do Líder Supremo Ali Khamenei gastou bilhões de dólares em hardware para o seu aliado Bashar Al-Assad, nos últimos cinco anos – e comanda as operações no território a partir de um monólito de cinco andares perto do aeroporto de Damasco. 

O QG iraniano, que desempenha um papel fundamental no apoio ao regime de Assad ao lado da Rússia, contém operações de inteligência e contra-inteligência, e tem cofres cheios de milhões de dinheiro que vieram de Teerã, afirma o NCRI.

As alegações estão contidas em um dossiê de relatórios aparentemente vazados por fontes de dentro da Guarda Revolucionária do Irã e recolhidos pelos ativistas dissidentes que se opõem ao regime iraniano. 

O processo – que não pôde ser verificado de forma independente, foi descrito, porém, como sendo “credível” por especialistas em inteligência – o que faz com que sejam ousadas as afirmações de que o Irã controla a maior força de combate na Síria; tendo bases militares em todo o estado fragmentado; juntando-se a uma guerra de peito aberto, com um apoio maior do que receava o presidente sírio. 




Se as reivindicações dos ativistas forem precisas, isso significa que o regime fundamentalista de Teerã e seus aliados xiitas são muito mais poderosos do que foi estimado. Analistas ocidentais têm até agora colocado um número estimado da força total xiita iraniana liderada em apenas 16.000 homens

Os dissidentes fizeram alegações de que o Irã agora comanda cerca de 60.000 tropas xiitas na Síria – mais de 15.000 homens do que a Grã-Bretanha enviou para a guerra no Iraque em 2003 – enquanto o exército de Assad foi reduzido para apenas 50.000 soldados. 

Além disso, o grupo militante libanês Hezbollah, que tem uma estrutura de comando independente, mas opera em estreita coordenação com o Irã, tem cerca de 10.000 soldados no país, dizem. 

O NCRI é um movimento de oposição iraniano exilado e comprometido com a derrubada do regime Xiita em Teerã. Eles vazaram informações sobre o regime no passado, e, embora não tão precisas, em 2002, foram sensacionalmente expostas a existência das instalações nucleares secretas em Natanz e Arak, no centro do Irã, o que fez as potências ocidentais serem mais cautelosas em negociar com Teerã. 

A sugestão de que o Irã tem tantos soldados no campo de batalha – 16.000 tropas iranianas comandando 45.000 mercenários xiitas do Iraque, Afeganistão, Paquistão, Líbano, bem como palestinos e Baluchis, um grupo minoritário do Afeganistão – é susceptível de causar ansiedade na região e no Ocidente, que está levantando sanções ao regime depois de assinar um acordo nuclear controverso. 

Kamal Alam, analista de pequisa no Royal United Services Institute (RUSI), disse que o vazamento da inteligência era “inteiramente plausível”. 

“Eu vou com bastante regularidade para a Síria e visito os campos de batalha, e eu vi como os iranianos tentam manter suas operações tão secretas quanto possível”, disse ele.

“Seus soldados tendem a falar árabe, em vez de Farsi em público, e geralmente não usam uniformes iranianos. Isto torna muito difícil para os observadores saber quantos estão no país.”. 

Analistas têm sido forçados a usar estimativas conservadoras do número de tropas, e Alam disse que por Teerã está desconfiado que isso pode causar um alarme, tanto em casa quanto no exterior – não libera números fiáveis. 

Além disso, o presidente da Síria Assad, que lidera uma administração secular, minimiza o apoio do Irã para evitar a impressão de que ele é um fantoche do regime islâmico, disse ele. 

A afirmação básica feita pelos ativistas é que o Irã opera um grande QG perto do aeroporto de Damasco, e que o NCRI diz ser apelidado de "A Estufa" (Maqar-e Shishei em persa). 

O edifício de 180 quartos é dito como estando posicionado perto de uma pista de pouso que o NCRI diz ser apelidado de “Muhammad Ali”, tornando fácil para os chefes militares iranianos receber entregas de tropas, dinheiro e equipamentos – e fugir caso Damasco caia. 

Paredes anti-explosão formam um quadro em torno do perímetro, que é guardado por soldados fortemente armados. De acordo com o NCRI, até 1.000 pessoas trabalham na base secreta, e todos devem ser submetidos a um rastreamento de segurança intensivo. 

Determinados números de departamentos são baseados dentro, incluindo contra-inteligência, logística, propaganda e o comando de mercenários estrangeiros. Diz-se que os temidos serviços de inteligência iranianos, que estão no comando da base ocupam os dois andares superiores. 

Também é dito que o edifício contém quartos de oração, uma clínica particular de 20 leitos para oficiais superiores feridos, e instalações para a arrecadação de milhões de dólares em dinheiro, que são supostamente armazenados no porão. 




A inteligência também passou para o MailOnline a informação afirmando que Teerã gastou $ 100 bilhões no conflito desde 2011, incluindo em hardware e suporte para o regime de Assad. 

Os números reivindicados pelo NCRI foram uma surpresa para os analistas ocidentais, que até agora estimaram que o Irã gastou apenas US $ 15 bilhões na guerra na Síria. 

Milhões de dólares em dinheiro são regulamente entregues na pista iraniana antes de serem transferidos para o QG apelidado de “A Estufa” afirmam os dissidentes. 

Estão supostamente armazenados na base sob os auspícios do chefe de logística, o general-brigadeiro Sayyed Razi Mousavi, ex-comandante da força de elite Quds na Síria, e estão sendo principalmente utilizados para pagar os salários dos combatentes. [Terroristas]

As revelações vieram depois que Teerã deu um passo extraordinário de permitir que a Rússia use suas bases aéreas para lançar ataques na Síria, demonstrando o seu papel na expansão. 

Segue-se também relatos de que o Irã implantou um sistema de defesa de fabricação russa mísseis S-300 de superfície-ar em sua fábrica de enriquecimento de urânio em Fordow, noroeste do Irã. 

O doutor Aniseh Bassiri Tabrizi, um especialista em Irã da RUSI, disse: “É muito difícil saber os números, porque o Irã é muito meticuloso. É com o qual lutamos em nossa investigação Não é nenhum segredo que o Irã tem uma forte presença no território e que isto [a informação] não é baseada exclusivamente em assessores e consultores. Estes dados reforçam nossas suposições sobre o envolvimento iraniano na Síria, mas nos leva muito mais longe em termos de números. Eles ampliam nossa visão de que por causa do investimento político financeiro e militar pesado na Síria, é improvável que o Irã retire sua presença do território, sem uma grande mudança no equilíbrio do poder.”.

Um porta voz do Foreign Office disse ao MailOnline: “O papel do Irã no fomento da instabilidade no Oriente Médio e seu contínuo apoio a grupos que representam o regime de Assad, e as atividades da Força Quds, continuam a ser uma fonte de preocupação.”. 

Os ativistas também afirmam que Teerã está criando raízes militares em 18 localidades de norte a sul da Síria (ver o mapa com as reivindicações da inteligência acima), mostrando a forma como tenciona controlar grandes partes do país, mesmo que Assad seja derrotado. 

Planejadores militares iranianos – agindo sob a égide do Brigadeiro-General Mohammad Jaffar Assadi, o comandante supremo recentemente nomeado das forças iranianas na Síria – é dito como tendo dividido a Síria em cinco frentes que compreende-se como a Frente Norte, Frente Oriental, Frente Sul, e o Fronte de Comando Central e a Frente costeira, segundo as afirmações do NCRI.

Bases da Guarda Revolucionária foram estabelecidas em cada um dos setores, que o NCRI diz poder acomodar até 6.000 soldados, bem como armas pesadas, poder aéreo e mísseis antiaéreos. 

Especialistas dizem que Teerã está determinado a proteger e defender as suas linhas de abastecimento para o seu aliado o Hezbollah no sul do Líbano, e a expandir para o exterior a partir deste território núcleo. 

Uma fonte de segurança disse ao MailOnline: “O Irã está ficando-se em posições onde Assad está de pé, e numa outra em que ele cai, onde Teerã está tendo a melhor posição para dominar tudo em seguida.”. 

Essa é o grau de envolvimento do Irã na Síria na guerra que foi tomada internamente, segundo as reivindicações do dossiê. No ano passado, apenas 5.000 iranianos estiveram em ação no país; hoje, esse número é de 16.000. 

Fontes de segurança relataram níveis crescentes de preocupação do público no Irã com o nível de baixas sofridas. Em resposta, Teerã apresentou o conflito como a linha de frente na guerra contra o terrorismo, que se não for confrontado no exterior, poderia ameaçar o Irã em casa. 

De acordo com o especialista em Irã da RUSI o doutor Tabrizi, a presença iraniana maciça aumenta o perigo de uma escalada regional. 

“Os países do Golfo já estão com medo da projeção de poder iraniano na região. Isso pode acelerar o apoio [dos países do Golfo] a grupos rebeldes, ou mesmo leva-los a pensar sobre o envio de tropas terrestres para a Síria,” disse o doutor Tabrizi. 

No entanto, o papel do Irã vai ainda mais longe, de acordo com ativistas, que também afirmam que o Estado interveio para incentivar a Rússia a comprometer recursos significativos para apoiar Assad em 2015. 

Teerã disse ter agido em agosto daquele ano, quando depois de grandes perdas em Aleppo, Idlib e Deraa, parecia provável que Assad iria cair. 

Durante uma reunião secreta com Moscou, em julho do ano passado, o major-general Qasem Soleimani aparentemente solicitou maior apoio aéreo russo e um enorme carregamento de armas, incluindo MiG, Sukhoi’s e aviões Antonov, Kamov helicópteros Mil e tanques T90.

Os dissidentes citaram fontes da Guarda Revolucionária afirmando que um acordo foi feito com a condição do Irã pagar US $ 3 milhões pelo custo de US $ 10 bilhões. 

“Você está falando sobre uma presença iraniana muito bem orquestrada, encorajada e bem planejada”, disse uma fonte de segurança ao MailOnline. “Eles estão pensando muito claramente e de forma inteligente, e estão criando raízes profundas, criando bolsões de energia em locais com importância estratégica. Os iranianos são mestres em se intrometer em diferentes funções políticas no exterior. É exatamente do que muitas pessoas têm medo. É o seu maior pesadelo.”. 

Um porta-voz do Foreign Office disse: “O governo iraniano afirmou que quer ver uma solução pacífica para o conflito sírio. Mas como a coisa se estende, o Irã está num longo caminho para desempenhar um papel construtivo. 

“O Irã continua a enviar combatentes, incluindo a Força Quds da Guarda Revolucionária para a Síria, subsidiada pelo regime de Assad e apoiando ativamente a supressão do regime de Assad a pessoas inocentes.”.  


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