25 de jul de 2016

Bálcãs - a União Europeia, a Rússia e os Estados Unidos “todos pressionam Vucic”

Aleksandar Vucic



B92, 25 de julho de 2016. 



A mensagem de Aleksandar Vucic de que ele não estava descartando a possibilidade de alguém montar um novo governo foi um “sinal sobre a pressão externa”. 

É assim que os políticos, a mídia e os analistas têm interpretado a declaração feita no sábado pelo PM [primeiro-ministro] indicado. 

Vucic, cujo convincente partido SNS (Partido Progressista da Sérvia) venceu em 24 de abril as eleições parlamentares, disse que estava enfrentando “problemas”, mas não quis revelar quaisquer detalhes. 

Esta declaração foi interpretada pelo público desde que ela foi feita como sendo conclusivamente política, e que ela veio como sendo o resultado da pressão proveniente da União Europeia, da Rússia, mas também dos Estados Unidos. 

Blic, um jornal baseado em Belgrado está relatando que tem “resultados concretos” sobre quais potenciais ministros no próximo governo da Sérvia serão contenciosos, isto é – “qual o centro do poder quem são os seus jogadores”. 

Em meados de maio, Vucic disse que a Sérvia teria um novo governo em breve e que apenas os nomes dos dois futuros ministros não era conhecido até aquele ponto. 

No entanto, as circunstâncias parecem ter mudado, e por isso o jornal escreve que “o Ocidente está exigindo que o Ministro de Informação e Cultura Ivan Tasovac – por sinal um estudante russo – e o Ministro da Administração Estatal Kori Udovicki permaneçam no gabinete”. 

De acordo com o Blic, “os mesmos” também estão pedindo que Vucic deixe de fora de seu novo gabinete alguns de seus colaboradores mais próximos, incluindo o ministro da Justiça Nikola Selakovic. 

Por outro lado, “Moscou está exigindo que o setor energético permaneça nas mãos dos socialistas (SPS) – isto é, provavelmente, para que (o ministro de Energia) Aleksandar Antic mantenha o seu trabalho.”.

A mídia especulou anteriormente que os russos tinham conseguido “posições ministeriais chave no governo de Vucic formados em 2014”, quando Zorana Mihajlovic assumiu o cargo de ministra de construção e infraestrutura.  Ela é descrita como uma especialista em energia que serviu como ministra de Energia no governo anterior liderado por Ivica Dacic. 

A repentina viagem de Vucic a Moscou em maio em seu encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, também causou um rebuliço na Sérvia. Putin disse na época que ele “espera que, seja qual for o novo governo de composição, ele deve dar um lugar digno as pessoas que derem muita atenção ao desenvolvimento das relações entre a Federação Russa e a Sérvia.”. 

O analista Bosko Jaksic falou recentemente ao B92 dizendo que isso marcou o início da mais grave crise nas relações entre a Sérvia e o Ocidente desde que Vucic se tornou o primeiro-ministro. Jaksic fez estes comentários depois que Vucic anunciou ter cancelado suas viagens para Bruxelas e os Estados Unidos e em seguida se reuniu com embaixadores dos Estados Unidos e da União Europeia em Belgrado. 

O Blic relatou nessa segunda-feira, citando uma fonte não identificada que disse que foi “por estar próximo aos progressistas (SNS)”, que Vucic “sempre pôde resistir, enquanto os estrangeiros o pressionavam (ele)”. 

“E está sendo assim agora. A mensagem de que com os problemas que tem, ele pode como um último recurso, sair (do cargo) para deixar outra pessoa, foi enviada para os estrangeiros, mas também para os seus colegas de partido, cujo apetite aumentou repentinamente e sem justificação”, disse a fonte.

O analista Dragomir Andjelkovic, descrito como sendo “próximo do SNS”, disse que a União Europeia tem vindo a dar margem a mais manobras para influenciar os acontecimentos políticos na Sérvia após a abertura dos capítulos 23 e 24 nas negociações de adesão do país à União Europeia.  

De acordo com ele, a declaração de Vucic foi “uma mensagem preventiva”, afirmando que ele não seria um parceiro na formação de um novo governo “baseado na Diktat [imposição] de alguém. “Andjelkovic também acha que esta era uma mensagem para os parceiros de coalizão de Vucic – “isto é, um sinal de que a Sérvia pode estar a caminho de novas eleições.”.

Este analista político do diário baseado em Belgrado diz que parceiros de coalizão estão ganhando muita importância, “devido à necessidade de mudar a Constituição durante o processo de negociação com a União Europeia, ou seja, a necessidade de ter uma maioria de dois terços no parlamento.”.

O analista do CESID Djordje Vukovic também falou para o jornal que a mensagem de Vucic foi feita para “aquelas partes com as quais ele espera que cooperem com o governo, para se certificar de que eles não exijam muito.”.

Vukovic disse que o SNS agora “não está mais na mesma posição, com a atual distribuição de mandatos”, mas ressaltou que ele pensou que Vucic iria no final, “formar um governo”. 

O parceiro de coalizão de Vucic no governo interino agora, o ministro Aleksandar Vulin, também falou sobre “pressões”, na segunda-feira:

“A Sérvia cuida de seus próprios interesses e estou certo de que o primeiro-ministro vai suportar a pressão e vai seguir adiante com o governo sérvio, como é exigido pelos cidadãos.”.


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