30 de jul de 2016

Bálcãs - Sérvios-bósnios opõem-se a um novo grupo antiterrorista

Policiais de investigação do Estado da Bósnia e Agência de Proteção



Balkan Insight, 29 de julho de 2016. 



Por Rodolfo Toe



A proposta da criação dum novo grupo de coordenação contra o terrorismo na Bósnia está atraindo críticas de autoridades na República Sérvia que dizem que isso vai quebrar a lei. 

A proposta para colocar em operação um novo mecanismo de coordenação estadual antiterrorista entre a polícia bósnia e agências de segurança está atraindo oposição da República Sérvia, RS, entidade sérvia sob controle da Bósnia. 

A proposta, apoiada pelo Ministro de Segurança bósnio, Dragan Mektic, provavelmente será enviada para a aprovação do Conselho de Ministros na próxima semana, disse o Ministério à BIRN. 

A proposta estava na agenda do Conselho de Ministros para quinta feira, mas não foi discutida com o Ministro Mektic que estava fora do país. 

O Ministério confirmou que o grupo será presidido pelo Ministério de Segurança, em vez do Procurador-Geral da Bósnia e Herzegovina, que até agora presidiu grupos de interagências para a luta contra o terrorismo a nível estadual. 

O plano tem atraído críticas da RS, que defende que isso vai mudar o equilíbrio dos poderes dentro das instituições bósnias. 

“Na base do plano, o grupo será capaz de conduzir investigações e formar equipes de investigação, o que é contra a lei”, disse Dragan Lukac, ministro do interior da RS na quarta-feira. 

“Ninguém pode tirar a missão de realizar inquéritos do Ministério da Bósnia, e acima de tudo, o Ministério de Segurança, que a partir de um ponto de vista legal não tem autoridade para realizar ações de investigação”, disse Lukack. 

Marina Miljanovic, do Ministério do Interior da RS, fez mais comentários, acrescentando: “A posição das autoridades da RS é bem conhecida.”

No entanto, apesar da oposição do governo da RS, membros do Partido Democrático Sérvio, SDS, que fazem parte do Conselho de Ministros, apoiam o plano. 

“Isso tudo é um problema político”, Ognjen Tadic da SDS disse à imprensa bósnia, expressando seu apoio ao seu colega de partido, Mektic. 

Ele previu que a oposição ao projeto iria “durar apenas até uma bomba explodir em algum lugar matando pessoas, e em seguida, [os políticos] eles iriam apenas tentar culpar uns aos outros.”. 

Na quarta-feira, representantes de várias agências de segurança e da polícia da Bósnia disseram que “um Grupo Operacional contra o Terrorismo” já tinha começado a funcionar." 

No entanto, esta não é uma nova agência, mas apenas um corpo que facilita o intercâmbio de informações sobre o terrorismo entre agências diferentes, e cuja criação foi adiada por cinco anos, informou a Rádio Europa Livre. 

Os especialistas têm dito repetidamente que a Bósnia precisa de uma melhor coordenação entre as diferentes agências policiais para combater o terrorismo e a “radicalização”. 

A Bósnia é um dos principais exportadores regionais de jihadistas para o Oriente Médio, mostram os dados oficiais. 

Pelo menos 200 cidadãos bósnios viajaram para a Síria e o Iraque para lutar ao lado do Estado Islâmico [ISIS], e pelo menos 50 voltaram para casa, relata a BIRN numa pesquisa publicada em março


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