7 de jun. de 2016

Vladimir Putin, aliado do Irã anuncia aliança com Israel na luta contra o terrorismo?

Prólogo

Na virada do milênio, e até agora, Irã e Israel protagonizaram as maiores tensões diplomáticas na história, talvez até maior do que entre Israel e Palestina. O Irã é de longa data um forte aliado da Rússia no Oriente Médio. A Rússia, por sua vez, que desintegrou a URSS, mas nunca deixou de prontamente apoiar regimes autoritários, faz às vezes de tutor das ditaduras árabes, ou de mercearia, para vender-lhes armas das quais outrora elas nem sequer sonhavam. Foi assim com Gaddafi, com Saddam e Arafat. Vários países potencialmente perigosos possuem armas nucleares, graças à Rússia – o Irã é o mais novo da lista. Durante a virada do milênio, as preocupações crescentes de Israel foi que essa tecnologia parasse nas mãos do Irã, que há muito declarava o seu anseio por destruir o estado judeu. 


Quando o presidente Bush invadiu o Iraque, e destituiu o regime socialista de Saddam Hussein, o vitorioso naquela guerra seria o Irã, por vários fatores: primeiro, que o regime do Iraque não era favorável ao xiismo, e tinha forte resistência aos grupos sectários que agiam dentro do país – até por conta de sua adesão ao Baathismo – e estes grupos, muitas vezes, iam contra os interesses do governo, porém, sem nunca serem incomodados. Um caso a que devemos nos atentar é o de Moqtada Al-Sadr, um clérigo xiita iraquiano, que após a queda de Saddam Hussein advogou para si o direito de governar, incitando fanáticos xiitas contra as forças de coalizão lideradas pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Isso em meados de 2004. Posteriormente, Sadr fugiu do Iraque, e se estabeleceu no Irã xiita. Bush deveria ter feito uma caçada contra Sadr, mas preferiu não investir tanto nisso, e o resultado, é que sob a égide da administração Obama, Sadr retorna ao Iraque e começa a agitação civil mais uma vez. Ou seja: o responsável por várias mortes em 2004, por incitar fanáticos xiitas, continua no Iraque, e sob a proteção de Barack Obama, mas foi George Bush quem não tomou a iniciativa de caçar Sadr, e hoje, o Irã estende sua influência no Iraque por meio dos clérigos xiitas que lá estão. Bush e Obama são culpados disso. 
A Rússia tem dado ultimatos a Erdogan, mas visando as forças da OTAN por detrás dele. Teerã e Moscou têm planos para o Iraque, e não querem empecilhos em seu caminho. Como Barack Obama não parece mostrar oposição, Teerã e Moscou terão vida fácil. Mas o perigo maior é que com a aproximação gradual do Irã ao Iraque, as forças sectárias podem ganhar nova vida, e o Irã pode transformar o Iraque naquilo que sempre quis: um feudo. Isso por si só constitui um perigo imenso para a região, e principalmente Israel. O Departamento de Estado norte-americano, catalogou o Irã como sendo o principal Estado patrocinador do terrorismo, e ele assim o é. Durante a virada do milênio, além das invasões ao Iraque, e ao Afeganistão, o Irã havia se tornado a maior preocupação por conta da sua suposta aquisição de uma bomba nuclear. As políticas do presidente Bush, nos anos finais de seu mandato giravam em torno disso, e as políticas de Obama deram seguimento a isto. No entanto, bem antes das negociações o Irã já havia obtido essa tecnologia por meio da Rússia. As tensões em meados de 2010 a 2011 eram tamanhas, que a Rússia pessoalmente ameaçou Israel e Estados Unidos, caso interferissem militarmente nas instalações nucleares de Teerã. Na época, Barack Obama já era presidente, e estava no segundo mandato, no entanto, demonstrou uma fraqueza sem igual diante de Moscou e Teerã, e Israel seguiu de cabeça baixa, engolindo o sapo, e deixando a provocação de lado. 

O fato da Rússia ter ameaçado Israel, e ser uma das aliadas dos maiores inimigos de Israel, por si só já demonstra que essa história de que Israel e Rússia podem cooperar para combater o terrorismo – ou é um erro de Netanyahu, ou é loucura! Ou mau-caratismo. Sergei Lavrov pessoalmente ameaçou retaliar, caso Israel intervisse militarmente em Teerã, no entanto, Netanyahu agora diz que está disposto a cooperar com a Rússia no combate ao terrorismo? Desde a invasão ao Iraque em 2003 em diante, o presidente Bush também manteve-se reticente em atacar o Irã e suas instalações nucleares – e sempre refreando Israel, que já fazia claras advertências a Teerã de que iria intervir, pois estava ciente das atividades nucleares do então presidente Ahmadinejad. Netanyahu causa estranheza – a mim pelo menos – em dizer que pode cooperar com a Rússia, sendo que já recebeu ameaças de Moscou em caso de invadir, ou atacar nuclearmente as instalações onde são desenvolvidos os programas nucleares. 

O próprio Benjamin Netanyahu disse que as negociações entre o Ocidente e Teerã eram um erro histórico, porque não garantiam que o país obtivesse meios de desenvolver armas nucleares. Quem tem participação nessa chamada “fraude” é a Rússia. Foram os russos que fizeram arranjos para que Teerã obtivesse a “melhor parte” no acordo, onde Obama e o Ocidente retirariam as sanções, enquanto isso, tudo o que os mulás precisariam fazer era esperar o dinheiro retornar ao bolso, e com compensações extras. 

A Rússia combate tanto o terrorismo quanto o Irã, mas Netanyahu realmente espanta a todos com sua fala dúbia. Se realmente Israel procura cooperar com a Rússia no combate ao terrorismo, então há motivos para duvidar se isso é uma entrega, ou ingenuidade

Benjamim Netanyahu e Vladimir Putin



Euronews, 07 de junho de 2016.


Por Francisco Marques | Com TASS, TIMES OF ISRAEL

Vladimir Putin anunciou esta terça-feira uma parceria “na luta contra o terrorismo” entre a Rússia e Israel. A aliança foi revelada no decorrer da terceira visita, em nove meses, de Benjamin Netanyahu a Moscovo.

Acompanhado pela mulher e dois outros membros do governo hebraico, o primeiro-ministro de Israel — curiosamente um forte aliado dos Estados Unidos — foi recebido esta terça-feira, no Kremlin, pelo Presidente da Rússia.

Nas boas vindas, Putin sublinhou a importância para a Rússia de boas relações com Israel. “Não apenas porque Israel é uma peça-chave no Médio Oriente, mas também pelas relações históricas entre os nossos países”, afirmou o Presidente russo, destacando, sobretudo, o forte potencial para o reforço de relações bilaterais da significativa imigração russa estabelecida há muita no Estado hebraico.
Benjamin Netanyahu, por seu lado, sublinhou os interesses comuns entre israelitas e russos, destacando áreas como “a tecnologia, a cooperação agrícola, o comércio e os conflitos regionais”. O conflito sírio, por exemplo, onde a Rússia tem estado envolvida diretamente no apoio ao regime de Bashar al-Assad, estava anunciado como um dos mais importantes na agenda deste encontro.
A presente visita do primeiro-ministro israelita ao líder do Kremlin teve por base os 25 anos do reatar de relações diplomáticas com a Rússia e, tal como em Washington há alguns meses, incluiu em Moscovo a deposição de uma coroa de flores no memorial ao soldado desconhecido, numa clara evocação da II Guerra Mundial, ma qual o “exército vermelho” soviético teve papel decisivo na libertação dos judeus do campo de concentração nazi de Auschwitz.

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